Os manifestantes fecharam a rodovia, queimaram pneus na pista e partiram em bloco rumo à barreira policial
Foz do Iguaçu - Cerca de dois mil sacoleiros enfrentaram a polícia ontem por causa do combate ao contrabando na fronteira do Brasil com Paraguai. Após nova repressão, eles reagiram com pedras e paus. A polícia respondeu com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo, transformando o local numa praça de guerra. Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas e cinco foram presas, entre elas uma adolescente.
O tumulto começou às 9h30, quando a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 20 veículos com mercadorias compradas em Ciudad del Este. Revoltados, compristas provocaram patrulheiros lotados no posto de fiscalização próximo à aduana, o que levou um dos policiais a efetuar dois tiros de espingarda na tentativa de conter a revolta.
Os disparos, entretanto, inflamaram os manifestantes, que fecharam a rodovia, queimaram pneus na pista e partiram em bloco rumo à barreira policial. A multidão incendiou o posto de fiscalização e depois marchou em direção à alfândega, onde ficam os fiscais e seguranças da Receita Federal.
Durante o caminho, destruíram barras de concreto que separam a rodovia, derrubaram cercas de arame, quebraram vidros de automóveis e de viaturas e, por fim, jogaram pedras em direção ao fiscais e agentes da aduana.
''O comprista não está roubando. Esse é o único jeito de ganhar dinheiro. Do contrário, não temos como dar estudo para o filho, pagar água e luz'', reclamou o sacoleiro José Rodolfo Siqueira, 49 anos, que diz estar há dez anos na atividade. Ele acusou a Receita Federal de não respeitar a cota de compras de US$ 150,00 e apreender todos os produtos.
A resposta veio com o reforço do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Militar e dos pelotões de choque das policiais Rodoviária Federal e Federal. Os policiais jogaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar a multidão. Os ataques duraram quase uma hora e só terminaram com a prisão dos envolvidos no confronto.
Segundo o delegado do Núcleo de Operações da Polícia Federal, Cesar Luiz Busto de Souza, os manifestantes ''agrediram fisicamente policiais e servidores da Receita Federal. Eles ilharam nosso pessoal na aduana''. Conforme ele, os detidos responderão processo por desobediência, desacato e danos ao patrimônio público.
Mas quando o tumulto parecia ter acabado, trabalhadores informais paraguaios resolveram fechar a Ponte da Amizade em apoio aos colegas brasileiros. Eles formaram um cordão no meio da pista, impedindo a passagem de veículos. O bloqueio só foi desfeito às 12h45, depois da polícia prometer que não aconteceriam novos enfrentamentos.
Esse foi o segundo protesto desde o início da Operação Fim de Ano, deflagrada pela Receita Federal e outros sete órgãos federais e estaduais na terça-feira passada. Na sexta-feira, foram fechados o trevo da Ponte da Amizade e a praça de pedágio de São Miguel do Iguaçu (Oeste). O tráfego foi retomado após 200 ônibus de sacoleiros sem liberados livres de vistoria.

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