Sacoleiros buscam cidade-sede
Valmir Denardin
Arquivo FolhaA Cooperativa Nacional de Importação e Exportação dos Sacoleiros deverá reunir 500 mil sacoleirosOs sacoleiros do Brasil estão negociando com sete prefeituras das regiões Oeste e Norte do Paraná benefícios para a instalação de uma cooperativa nacional da categoria. A entidade deverá reunir cerca de 500 mil sacoleiros de todo o País.
Em meados de maio, Walter de Barros Negrão, idealizador da cooperativa, enviou propostas para as prefeituras de Santa Terezinha de Itaipu, Medianeira, Cascavel, Guaíra (Oeste do Estado), Londrina e Maringá (Norte). Com a prefeitura de Foz do Iguaçu, Negrão vem negociando há cerca de um ano e meio, desde que começou a trabalhar no projeto.
Para sediar a Cooperativa Nacional de Importação e Exportação dos Sacoleiros do Brasil (Conaimexsabra), o município interessado terá que pagar R$ 14,5 mil (para a legalização da entidade e a confecção de material de divulgação); ceder, pelo prazo de um ano, um barracão com pelo menos 2,5 mil metros quadrados; isentar a cooperativa do pagamento de alvará por cinco anos e construir um portal na entrada da cidade, onde será cobrada taxa de R$ 1,00 de cada sacoleiro que chegar para fazer compras na cooperativa.
Em troca, segundo Negrão, o município vencedor da ‘‘concorrência’’ será beneficiado com a arrecadação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). ‘‘Temos a expectativa de movimentar R$ 3,6 bilhões por ano. Apenas de Imposto de Importação, a Receita Federal iria arrecadar R$ 1,8 bilhão ao ano’’, calcula Negrão.
O objetivo da cooperativa é importar os produtos que atualmente são vendidos em Ciudad del Este diretamente dos países produtores, pagando todos os impostos. O Imposto de Importação (II) varia hoje de 15% a até 50% do valor do produto. Legalizada, a mercadoria seria comprada pelos sacoleiros e revendida em qualquer cidade brasileira.
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) mostra que a evasão fiscal provocada pela economia informal no País - na qual o ‘‘comércio-formiga’’ exercido pelos sacoleiros tem grande participação - alcança US$ 15 bilhões por ano. ‘‘Desse valor, pelo menos R$ 8 bilhões corresponde aos sacoleiros’’, calcula Negrão. ‘‘De uma só vez, vamos combater o desemprego e a sonegação fiscal.’’
As prefeituras que receberam a proposta de sediar a cooperativa informaram que estão estudando o assunto. Negrão disse que resolveu ampliar as possibilidades devido à ‘‘morosidade’’ da prefeitura de Foz do Iguaçu. O secretário municipal de Indústria e Comércio, Eron Marchiori, afirmou que Foz tem interesse de sediar a cooperativa. Segundo ele, já está sendo negociado um local e a prefeitura já tem destinados R$ 7 mil para a criação da entidade.

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