Sacoleira é sequestrada no Paraguai
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por Mauri Konig (especial para a AE) 
São Paulo, 27 (AE) - A sacoleira Escarlet Martins Vieira, 52 anos, ficou três dias nas mãos de sequestradores em Ciudad del Este (Paraguai), na fronteira com Foz do Iguaçu (PR). Ela foi sequestrada no sábado, por volta das 9h30, e libertada só ontem (26), às 23h30. A família de Escarlet, de Porto Alegre (RS), já havia pago R$ 3 mil como parte do resgate, mas a quadrilha exigia R$ 20 mil.
A dona da loja onde Escarlet costumava fazer compras toda semana, a paraguaia Célia Martinez Gimenez, 31, foi presa como autora do sequestro. Escarlet saiu de Porto Alegre na sexta-feira com a filha Valquíria Vieira, 24. Como de costume, elas foram até a loja de Célia, localizada numa galeria no centro da cidade. Ela gastou cerca de R$ 7 mil, a maioria em cigarro brasileiro tipo exportação.
Segundo Valquíria, a dona da loja anunciou o sequestro e disse que o preço do resgate seria de R$ 20 mil. Depois, ameaçou matar Escarlet se a filha contasse o caso à polícia. Desesperada
Valquíria entregou R$ 3 mil como parte do pagamento e ainda no sábado voltou a Porto Alegre. Na segunda-feira, o marido de Escarlet, o funcionário público aposentado Jorge Vieira, 58, registrou queixa do sequestro na Polícia Federal de Porto Alegre.
O aposentado procurou a Polícia Nacional do Paraguai ontem (26) de manhã e no final da tarde os policiais já tinham informações sobre os sequestradores, que a libertaram antes de serem presos. Scarlet foi mantida em cárcere privado durante três dias, onde teria sido agredida. À polícia, ela contou que recebia duas refeições diárias: leite e biscoito na parte da manhã e almoço ao meio-dia.
Escarlet acredita que pelo menos seis pessoas estiveram envolvidas no sequestro. Célia foi presa como autora do crime e dois empregados dela que teriam participado estão desaparecidos. Escarlet e o marido voltaram à tarde para Porto Alegre. Mesmo depois do sequestro, ela pretende continuar fazendo compras em Ciudad del Este, como faz toda semana há dez anos.


