Sacolas plásticas: de solução a problema
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de março de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina No dia 1º de março de 1974, há pouco mais de 40 anos, tornava-se obrigatória a utilização de saco plástico para destinar o lixo em Londrina. A medida referia-se a um projeto de lei sancionado pela prefeitura para dinamizar a coleta e proporcionar melhores condições sanitárias à população, conforme recomendava a Organização Pan-americana da Saúde. Na época, a justificativa indicava que o uso de sacos reduzia em 95% o número de moscas transmissoras de doenças e 70% a quantidade de roedores. A medida previa ainda o recolhimento de todas as caixas de papelão e madeira e as latas sem tampa ou em mau estado então usadas para jogar o lixo fora.
O que era apontado como solução quatro décadas atrás é hoje um dos principais vilões de projetos com conceito Lixo Zero. Além do tempo de decomposição - estima-se que mais de cem anos - , as sacolas plásticas impedem a compostagem, quando usadas para acondicionar o lixo orgânico. "Esse sistema que dispomos hoje de recolhimento por caminhões, em que o lixo é prensado, elimina qualquer possibilidade de separação posterior", diz Claudio Tedeschi, presidente do Fórum Desenvolve Londrina, movimento que acaba de lançar o estudo "Resíduos Sólidos: Estratégias de Planejamento e Gestão", que elenca uma série de problemas e soluções para a questão do lixo.
Segundo Tedeschi, é urgente que se inicie um planejamento de médio e longo prazos, traçando metas para a destinação do lixo (orgânico, reciclável, rejeito, tóxico e eletrônicos). "O uso de sacolas plásticas no lixo orgânico é apenas um dos problemas a serem superados. Mas quando nos deparamos com o dado de que 52% de todo lixo recolhido em Londrina é orgânico, algo deve ser feito o quanto antes." Entre as medidas listadas no estudo, está a criação de centrais de coleta de lixo orgânico e/ou composteiras públicas nos bairros, onde o cidadão possa jogar o lixo orgânico, acopladas à geração de energia e produção de adubo. "Mais do que estrutura, é uma mudança cultural."
Ambientalistas são otimistas quanto ao dia em que as sacolinhas serão substituídas por embalagens retornáveis e materiais mais resistentes. É o que afirma o presidente do Instituto Lixo Zero, Rodrigo Sabatini, de Florianópolis (SC). "O uso de sacola plástica no lixo orgânico é um crime. Sua distribuição não poderia ser gratuita nos mercados como acontece no Brasil. Deveria haver mudança em todo o sistema, para que tanto a legislação quanto a educação coibissem essa prática", critica, comentando que uma alternativa viável são as sacolas compostáveis, que contêm elementos biológicos em sua composição que, em contato com o solo, tornam-se adubo.
Em uma cidade altamente agrícola como Londrina e com o alto porcentual de recolhimento de lixo orgânico, Sabatini defende a criação de campos de compostagem para que os nutrientes retornem à terra. "Isso diminuiria drasticamente a quantidade de lixo a ser enterrado nos aterros." Segundo ele, o conceito Lixo Zero consiste no máximo aproveitamento e correto encaminhamento de resíduos recicláveis e orgânicos e a redução, ou mesmo o fim, do encaminhamento destes materiais para aterros sanitários. Londrina produz cerca de 410 toneladas de lixo urbano ao dia, deste total, 208 toneladas de lixo orgânico vão para Central de Tratamento de Resíduos (CTR).
Continue lendo:
- CMTU recomenda material de reciclagem
- Moradores recordam tempo das latas
- Coletores fazem protesto após demissões


