SACI-1 entra em fase final de testes
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terça-feira, 02 de março de 1999
Por Liana John 
Campinas, SP, 02 (AE) - O primeiro micro satélite de aplicações científicas brasileiro, o SACI-1, está em fase final de testes ambientais. Até o final de março, deve passar por testes de vibração, interferência, compatibilidade eletromagnética e termo vácuo. Em abril embarca para a China, de onde será lançado no mesmo foguete Longa Marcha do satélite sino-brasileiro de sensoriamento remoto, o CBERS-1, previsto para entrar em órbita em julho próximo.
O SACI-1 foi desenvolvido rapidamente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), para aproveitar uma folga na carga útil do foguete chinês. "Identificamos um nicho no mercado espacial internacional, que precisa de micro satélites para experimentos científicos de baixo custo", explica Márcio Barbosa, diretor do Inpe. "Com o SACI-1 viabilizamos um produto adequado a este nicho, que pode ser industrializado pelo parque nacional, além de proporcionar à comunidade científica brasileira uma oportunidade de propor experimentos espaciais, antes realizados apenas com balões, foguetes ou satélites estrangeiros".
Pesando apenas 60kg, o SACI-1 terá vida útil de 18 meses e levará a bordo 4 experimentos: Orcas, Magnex, Plasmex e Fotometria de Aeroluminescência. Segundo o diretor da área espacial do Inpe, José Humberto Sobral, o Orcas vai observar raios cósmicos anômalos de uma das camadas do cinturão de radiação de Van Allen, uma zona carregada de partículas, que envolve a Terra num plano alinhado com o Norte e o Sul magnéticos. Os raios cósmicos são compostos de partículas - prótons, átomos diversos - provenientes de outras partes de nossa galáxia e, em alguns casos, de outras galáxias.
Seu estudo visa identificar materiais que compõem as galáxias e entender melhor sua formação.
O experimento Magnex estudará o campo magnético terrestre, sobretudo no Hemisfério Sul, visando identificar parâmetros de comportamento das tempestades magnéticas. As tempestades ocorrem a mais de 900 quilômetros da superfície terrestre, provocadas, em geral, por atividade solar, e costumam interferir nos satélites de comunicação.
O objetivo do Plasmex é medir as temperaturas e concentrações de elétrons e íons na chamada ionosfera, para saber como as tempestades magnéticas interferem na área da anomalia equatorial magnética. Simplificando, serão estudadas as particularidades da camada de plasma entre o Equador e o Trópico de Capricórnio (que passa por São Paulo).
O plasma é um gás formado por partículas livres, de carga negativa e positiva, provenientes da dissociação de átomos sob ação dos raios ultravioleta do Sol na atmosfera terrestre. Começa a cerca de 90 quilômetros da superfície terrestre, chega a concentrações máximas entre 25 e 300km e depois diminui até os 2.000km. Esta zona onde há plasma é chamada de ionosfera. As partículas positivas e negativas sobem juntas na altura do Equador e descrevem um arco, como a água de um chafariz, descendo nas latitudes 23 a 25o , Sul ou Norte. E o SACI-1 vai estudar as concentrações e temperaturas no Hemisfério Sul.
Finalmente a Fotometria de Aeroluminescência é um experimento para identificar o movimento e a morfoloigia da atmosfera durante a noite, a partir da observação de luzes muito fracas (aeroluminescências). Existem duas camadas de ocorrência destas luzes: entre 90 e 120 km e a 300km. As luzes não são visíveis a olho nu e serão monitoradas por sensores especiais.


