Washington, 09 (AE) - Se quiser atrair capitais do exterior, o Brasil não poderá se limitar ao ajuste fiscal, acertado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), e à apresentação de bons índices econômicos. Em recentes relatórios e seminários, os investidores estrangeiros têm condicionado seu retorno aos países emergentes a novas exigências. Entre elas, um melhor desempenho na área científica e tecnológica; a ausência de riscos políticos; e um crescimento do mercado de ações.
Segundo o economista Jeffrey Sachs - diretor do Centro de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard e consultor de muitos governos da América Latina e da Europa do Leste - um dos maiores problemas para o futuro "é o crescente gap científico e tecnológico, entre os países emergentes e os desenvolvidos".
"Os Estados Unidos, a Europa e o Japão são responsáveis por 99% das patentes do mundo e a grande maioria dos projetos de pesquisas e desenolvimento", disse Sachs hoje. Segundo ele, para a América Latina, cujas economias ainda dependem muito da exportação de commodities, esse será um problema sério porque não pode ser resolvido pela simplês importação de tecnologia dos países industrializados. "Uma pesquisa realizada pelos americanos não ajudará os brasileiros, que tem produtos e situações geográficas e climáticas diferentes", explicou.
Segundo Sachs, a Internet poderá ajudar a fechar essa brecha - mas também poderá servir para ampliá-la. Ele lembrou que alguns países, dentre os quais o Brasil, estão abrindo e modernizando seu setor de telecomunicações para se adequar rapidamente à era da informática. "Mas temo que as mudanças não estejam na velocidade necessária", acrescentou.
Sachs citou como exemplo de país que poderá ficar para trás o Chile - até hoje considerado o modelo de economia na América Latina. "Enquanto os chilenos continuarem dependendo de suas exportações de cobre, num mundo cada vez mais dominado pela fibra óptica, sua economia será vulnerável", disse.
Sachs também falou no "gap tecnológico", num seminário patrocinado pelo Inter-American Dialogue (um centro de pesquisas sobre questões da América Latina), do qual participaram também investidores. Entre eles, Bowman Cutter, diretor da E.M. Warburg
Pincus & Co. - uma firma que investe dinheiro de fundos de pensões diretamente em empresas.
Segundo Cutter, ninguém hoje quer arriscar seu capital em países emergentes. Quando os 20 ou 30 maiores investidores americanos pedem um portfólio internacional, explicou, "querem 65% de ações da Europa, 25% da ásia, e o que sobra talvez da América Latina". E um dos principais motivos é que todos estão preocupados com os riscos políticos nos países em desenvolvimento e suas consequências.
"As avaliações dos riscos de cada país assumirão uma importância cada vez maior, porque muitos investidores acham que a última crise financeira internacional foi o resultado de uma falta desse tipo de avaliação", explicou. O exemplo mais recente de risco político é a crise atual na Indonésia, com os massacres na província do Timor Oriental, cujos eleitores votaram pela independência.
Segundo Cutter, muitos investidores (entre eles a sua empresa) não querem mais investir em obras de infra-estrutura, que dependem de negociações com governos. E sim em pequenas e médias empresas, cujas ações são transparentes e fáceis de entender, em setores novos como serviços e informática.
Nesse aspecto, salientaram Cutter e o presidente do The Newnarket Company, David Rothkopf, tanto a América Latina quanto outros países da ásia e da Europa do Leste estão atrasados: suas bolsas são pequenas e dominadas por empresas grandes ou de família, deixando de fora as pequenas e médias firmas, consideradas o motor do desenvolvimento no futuro.

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