Sabotagem deixa cidade sem luz e tira Globo do ar
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sábado, 29 de janeiro de 2000
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 29 (AE) - A cidade de Porto Calvo (106 quilômetros de Maceió) e mais dois municípios do Litoral norte de Alagoas ficaram sem energia, das 13h30 às 21h30 da sexta-feira. O apagão aconteceu exatamente no dia em que foi exibido o programa Globo Repórter, da TV Globo, com denúncia de envolvimento de autoridades da cidade com uma rede de prostituição infanto-juvenil.
Entre os denunciados estão o prefeito do município, Jorge Cordeiro (PSDB), o ex-juiz da cidade Luciano Galvão, o atual promotor Sérgio Simões e o padre Expedito (afastado pela Igreja Católica, depois do escândalo). Por determinação da Justiça de Alagoas, a Globo ficou impedida de divulgar os nomes do juiz e do promotor, acusados pelas menores prostituídas.
A Companhia de Energética de Alagoas (Ceal) descobriu que a ação de vândalos provocou o problema e reativou o fornecimento de energia elétrica, mas mesmo assim só quem tinha antena parabólica pôde assistir ao Globo Repórter. Estranhamente, a repetidora da TV Gazeta de Alagoas, afiliada da Rede Globo, no Estado, saiu do ar.
Segundo o assessor de imprensa da Ceal, Bernardino Souto Maior, houve um corte, em um trecho de difícil acesso, na linha de transmissão de energia, de aproximadamente 20 quilômetros, entre Matriz de Camaragibe e Porto Calvo. "Foi sabotagem", disse. A Ceal divulgou nota oficial hoje, em um jornal de Maceió
dizendo que o problema aconteceu por ato de vandalismo, que será apurado pela polícia.
A direção da Organização Arnon de Melo não havia se manifestado oficialmente até o final da manhã. Os funcionários disseram acreditar que houve sabotagem com o corte de fornecimento de energia à repetidora, em Porto Calvo. "Quando a energia voltou, somente a repetidora continuou às escuras", comentou um funcionário da TV.


