Ainda que tivesse uma sabedoria acima da média, Moisés Santiago Bertoni, nascido em 1857, jamais poderia supor que a influência de diversas culturas nacionais numa mesma pessoa ou território seria chamado um dia de globalização. Suíço, filho de italianos, Bertoni construi sua história no Paraguai, depois de uma fracassada passagem pela Argentina.
Brilhante biólogo, metereologista, cartógrafo e agrônomo, o cientista fazia de sua casa, encravada na selva subtropical, uma central de recepção e envio de um avançado material científico.
Reprodução/Ney de SouzaFamília passou necessidades no pais vizinhoO local foi escolhido durante expedições no Rio Paraná e afluentes. Em uma área de 199 hectares, auxiliado por filhos e netos, plantou café e banana, montou uma estação de correios e telégrafos e fez experiências com novas espécies de vegetação. Sonhou com uma comunidade rural que nunca chegou a se concretizar.
Antes, junto com a família, havia passado necessidades extremas em Misiones, província do nordeste da Argentina. Sucumbiu junto com o desastrado projeto de colonização agrária (baseado na cultura do mate), elaborado em Buenos Aires.
Ney de SouzaUma das opções é chegar ao museu no iate Iguassu Explorer
Falava sete idiomas e alguns dialetos, o que permitiu uma variada e influente produção de livros, registros de experiências, ensaios, impressos na gráfica própria que mantinha na casa, e enviados à Europa.
Até morrer de malária, em 1929, aos 72 anos, construiu um respeitado histórico político, sendo um dos intelectuais mais ativos na vida pública paraguaia. Representou o país em diversos eventos científicos, entre eles a Exposição Mundial de Buenos Aires, em 1910. Fundou e liderou a consolidação da Escola Nacional de Agricultura e foi ministro desta pasta de 1914 a 1919.

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