Sabesp não tem previsão para pagamento a fornecedores
São Paulo, 10 (AE) - A Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) - empresa do governo do Estado com lucro operacional de R$ 1 bilhão por ano - ainda não tem previsão de quando poderá retomar os pagamentos a 72 credores contratados para executar 200 obras em diversas regiões do Estado. O débito da empresa soma cerca de R$ 40 milhões, segundo cálculos da Associação dos Empresários de Obras Públicas (Apeop).
Os contratos foram suspensos no final de outubro com a perspectiva de que pudessem ser reabertos em março. No início da semana, após a primeira reunião do governador Mário Covas com todo o secretariado, o Palácio dos Bandeirantes admitiu que esse prazo não será mais cumprido. "Vamos ter de jogar isso mais para frente", informou o vice-governador, Geraldo Alckmin.
Por trás dessa decisão que tem causado protestos de empreiteiros e fornecedores, há uma operação financeira que a Sabesp tem de acertar impreterivelmente em menos de um mês - trata-se do pagamento de uma parcela de US$ 275 milhões correspondente ao resgate de eurobônus, títulos emitidos no mercado internacional. "Esse é o grande drama da Sabesp", disse um assessor da presidência, referindo-se à necessidade de honrar o compromisso.
Segundo o assessor, a empresa tem credibilidade no exterior, "tão grande quanto à da Petrobrás e do BNDES." Do ponto de vista do governo, isso justifica a interrupção dos contratos. Alckmin observou que a Sabesp estava pagando com o fluxo do caixa (recursos próprios) uma dívida que seus técnicos imaginavam que pudesse ser alongada por meio da renovação dos títulos. "A Sabesp tem de pagar esses títulos praticamente à vista e os juros estão muito altos", disse o vice-governador.
O problema que atormenta a Sabesp e fez a empresa alterar seus planos surgiu com a crise econômica da Rússia. O mercado fechou num momento delicado, porque estão em andamento os principais programas sociais do governo Covas, implantados a partir de 1995 - um investimento de R$ 3,5 bilhões destinados à execução de cinco mega projetos, como a despoluição do Tietê, a recuperação da Guarapiranga e o fim da era do rodízio de água por meio da ampliação da rede de distribuição.
Esses projetos estavam sendo executados com verba da receita da Sabesp (R$ 3 bilhões/ano), fundamentalmente obtida com as contas pagas pelos usuários, e com recursos financiados pelo Banco Mundial, pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e pela Caixa Econômica Federal. Uma parte do dinheiro empregado nos programas foi captada no mercado externo. Para quitar a dívida em dólar, a Sabesp decidiu sacrificar os 200 contratos de menor porte. "Isso não significa calote", ressaltou um diretor da empresa. Segundo a Sabesp, a retomada das obras depende da superação da crise econômica. O vice-governador procurou tranquilizar os credores, garantindo que "não haverá maior atraso nos pagamentos." De acordo com Alckmin, os débitos estão sendo colocados em dia e "rapidamente esse pequeno atraso será superado".
O governo informou que as obras da Sabesp cujo cronograma físico tenha alcançado 85% continuam sendo tocadas.





