Sabesp fará desinfecção da rede com superdose de cloro
São Paulo, 24 (AE) - Depois que os dois corpos forem retirados da tubulação, a Sabesp vai fazer a desinfecção de toda a rede. Segundo o gerente de Comunicação, Márcio Riscala, será feita uma lavagem da tubulação com um nível de cloro de 10 partes por milhão por litro, que é 50 vezes superior ao mínimo indicado pelo Ministério da Saúde.
"A legislação do ministério diz que a água deve ter um nível de cloro residual de 0,2 ppm por litro", explicou. "Com esse nível a qualidade sanitária da água está garantida, mas vamos fazer mais." Durante algumas horas a água com essa quantidade de cloro vai percorrer toda tubulação do reservatório da Vila do Encontro e depois será descarregada em galerias pluviais.
Em seguida, a rede vai ser esvaziada e mais uma vez preenchida com outra água, com menos cloro. Técnicos do controle sanitário vão fazer coletas para anlisar a qualidade da água. Todo esse processo leva de quatro a seis horas. "Durante uma semana a Sabesp vai triplicar as análises feitas na rede, que são de 20 por dia", informou Riscala.
Essas explicações não convencem a auxiliar de escritório Maria Regina Mariano Lozano, de 48 anos, moradora no bairro e sem água desde domingo, como outras 100 mil pessoas. "Essa água nunca prestou", disse. "Mesmo antes do acidente já tinha um cheiro tão horrível que nem dava para cozinhar."
Segundo Regina, várias vezes a Sabesp avisou que iria recolher amostras de água para fazer análise e não o fez. Ela garante que continuará a usar água mineral para beber e fazer comida. "Não bebo dessa água nunca mais", avisa. "Se não tinha confiança, agora perdi de vez." O cabelereiro José Roberto Augusto deu um prazo menor à Sabesp. "Depois que acharem os corpos só volto a beber água da torneira depois de um mês."





