Sabesp corta investimentos e prefeituras reclamam do serviço da empresa
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 27 (AE) - O corte nos investimentos da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) está colocando em risco o desempenho da estatal no 346 municípios que atende no interior. Muitas prefeituras que passaram os serviços de saneamento para a empresa do governo estadual consideram-se lesadas. "Confiamos os serviços à Sabesp
mas a população está sendo prejudicada com a paralisação de obras e atraso no cronograma de investimentos", reclamou o prefeito de Boituva, Edson Marcusso (PFL). Em Boituva as obras de uma estação de tratamento de água estão paradas há cinco meses e as da estação de tratamento de esgotos seguem em ritmo lento, segundo o prefeito. Outras obras previstas, como a construção de reservatórios, nem foram iniciadas."Mas a população está pagando as tarifas."
Em Laranjal Paulista, revoltados com a falta de investimentos, os moradores apresentaram na Câmara um projeto de iniciativa popular propondo o rompimento do contrato com a Sabesp. "A conta é alta e a empresa não está fazendo as obras prometidas", disse um dos coordenadores da movimento, Josias Salto. A Câmara aprovou a rescisão, mas o prefeito Roque Lázaro de Lara (PTB) não promulgou a lei. O veto do prefeito foi mantido pelos vereadores por 5 votos a 4, em sessão feita ontem (26) à noite. Caso fosse derrubado, o patrimônio e os serviços transferidos à Sabesp em 1997 retornariam para o município. Apesar de terem mantido o veto, os vereadores criticaram o desempenho da estatal. "O compromisso com a cidade não está sendo cumprindo", disse Alcides Rodrigues (PMDB), presidente da Câmara.
Em Itapetininga a estação de tratamento que livraria os ribeirões do Chá e dos Cavalos do despejo diário de 24 milhões de litros de esgoto in natura está parada. A obra está orçada em R$ 7,6 milhões e até a paralisação, há dois meses, haviam sido investidos R$ 5,9 milhões. Segundo o vereador Antônio Albino (PSL), o abandono da obra está prejudicando o conceito da empresa. "Os munícipes estão descontentes, pois pagam a conta mas não têm o benefício."
Em Iperó, a paralisação das obras da estação de tratamento de água levará ao caos o abastecimento no próximo verão, segundo o vice-prefeito Emílio Guazelli (PTB).
Sabesp - A Sabesp alega que sofreu um grande corte orçamentário por causa da crise econômica, mas está mantendo obras e serviços prioritários. Segundo a empresa, a crise cambial provocou um atraso na retomada dos investimentos. De acordo com o gerente distrital de Botucatu, Osvaldo Ribeiro Júnior, as obras principais de Iperó e Laranjal Paulista serão concluídas. "Em Boituva, retomamos a construção da estação de tratamento de esgotos e, em Laranjal Paulista, estamos triplicando a capacidade da estação de água."
A construção de uma adutora de água tratada entre Laranjal e o distrito de Maristela depende de autorização do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), pois será usado terreno lindeiro à Rodovia Marechal Rondon. As obras não prioritárias, segundo Ribeiro, terão que esperar a normalização dos recursos, prevista para junho.


