São Paulo, 02 (AE) - A tarifa de água e esgoto do Estado de São Paulo vai ficar mais cara a partir de amanhã (03). O aumento total médio será de 14,9%, embora a pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe) tenha registrado deflação de 0,24% nos últimos 12 meses, entre o período de maio de 1998 a maio deste ano. As tarifas chamadas normais, que atingem 70% da população do Estado, terão aumento de 16,8%. Nesse caso, o preço de consumo por 19 mil litros de água/mês (valor de referência para o cálculo das contas) vai passar de R$ 13,59 para R$ 15,89 em outubro, o que corresponde a um acréscimo de R$ 2,30. Já o preço da conta residencial normal de 10 mil litros água/mês sofrerá acréscimo, até outubro, de R$ 0,95, ou 15,8%. Subirá de R$ 5,67 para R$ 6,62.
Na região metropolitana, o aumento será dividido em duas datas. A partir de 3 de julho, parte do reajuste incidirá sobre as duas próximas contas e, a partir de agosto, sobre as demais, sendo que o aumento começará a ser cobrado na integralidade em outubro. O governo optou por escalonar o aumento nessa região para que ele não pese tanto no bolso da população. A Sabesp justifica que o aumento está ocorrendo por causa da elevação dos preços dos materiais e serviços que envolvem a captação, tratamento e distribuição da água e esgoto. De acordo com a Assessoria de Imprensa da estatal, o governo está autorizado a fazer aumentos anuais das tarifas e o último ajuste foi feito exatamente, em julho do ano passado. O valor, porém, era bem menor: 3,12%. Dívida - Segundo Elizabeth Tortolano, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema), porém, o acréscimo nas contas servirá para que a Sabesp consiga arcar com o pagamento da dívida externa da empresa, que aumentou em R$ 1 bilhão, por causa da desvalorização cambial. De acordo com documento divulgado pela própria estatal, a dívida em dólar da Sabesp saltou de R$ 1,7 bilhão, em dezembro do ano passado para R$ 2,7 bilhões em março deste ano.
As tarifas mais baratas - classificadas como "residencial favela" e "residencial social" - também terão acréscimo. Para o consumo até 19 mil litros/mês, a taxa da conta "residencial favela" sobe 4,8%, enquanto a tarifa social aumenta 4,4%. As novas alíquotas estão publicadas hoje no Diário Oficial do Estado, segundo informou hoje a assessoria da Sabesp.
Elizabeth discorda do argumento apresentado pela Sabesp para aumentar a tarifa. Segundo ela, as despesas com serviços terceirizados da estatal foi 13% menor este ano, em relação ao ano passado. As despesas com materiais em geral também diminuiu 8%. Segundo a assessoria de Imprensa da empresa, somente o custo comum do material de tratamento da água aumentou em 39,35% em relação ao ano passado.

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