Rio, 29 (AE) - O lutador de jiu-jítsu Ryan Gracie, de 26 anos, foi preso no início da tarde de hoje após prestar depoimento no 1º Tribunal do Júri, no centro do Rio. Gracie foi levado pelo delegado Jader Machado, da Divisão de Capturas da Polícia Civil (Polinter) para uma carceragem comum na zona porturária, por não ter curso superior. Interrogado pelo juiz João Guilherme Rosas Chaves Filho, o lutador disse estar arrependido por ter se envolvido em uma briga na casa noturna Ilha da Fantasia, na Barra da Tijuca, na zona oeste, no dia 13 do mês passado. Na briga, ele teria esfaqueado Marcus Vinícius Marins da Rosa, de 25 anos.
Ontem, o advogado do rapaz, André Luiz Anet, ingressou com um pedido de revogação de sua prisão. Se o pedido for negado
o lutador terá de aguardar o julgamento preso. O Ministério Público denunciou o lutador por tentativa de homicídio. Ryan Gracie tem nova audiência, na qual as testemunhas de acusação serão ouvidas, marcada para o próximo dia 17 no 1º Tribunal de Júri. O lutador responde ainda a outros três processos por agressão. Abatido - Ryan chegou à audiência, marcada para as 13 horas, com uma hora de antecedência, acompanhado do advogado, do pai (Robson Gracie, presidente da Federação de jiu-jítsu do Rio). Abatido, o lutador disse ao juiz que se envolveu na confusão na danceteria para defender um amigo que estava sendo agredido por colegas de Rosa - que acabou ferido no tumulto com um corte na barriga. Ele negou que tivesse uma faca e acusou Rosa de usá-la.
"Nunca andei com faca nem armas", disse Ryan. "Apliquei um golpe chamado mata-leão em Rosa que acabou se ferindo com a faca que segurava nas mãos". O rapaz também negou que tenha dado cabeçadas em Rosa, após feri-lo. "Fui agredido pelos amigos dele que ficaram com raiva do golpe que apliquei nele", contou o lutador.
Ryan responde a três processos por agressão física e tentativa de homícidio. Ele teve a prisão decretada há 15 dias por Chaves Filho, que classificou a ação do lutador como "um crime hediondo". Ele acolheu denúncia da promotora Mônica Di Piero. Segundo ela, Gracie tem índole violenta e tentou matar Rosa. Mônica se baseou nos relatos de testemunhas para pedir a prisão preventiva.
O pai do lutador defendeu o filho. "Ryan não anda armado", ressaltou Gracie. "Confio tanto na Justiça que o meu filho compareceu à audiência". De acordo com ele, o lutador estava em São Paulo e veio ao Rio para a audiência.