Brasília, 19 (AE) - Durante a posse do novo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), a primeira-dama Ruth Cardoso sugeriu que os homens fiquem mais ao lado das mulheres, inclusive na cozinha, para diminuir a discriminação. "Os homens têm que largar de não ficar na cozinha e partir para a batalha junto com as mulheres." A primeira-dama esteve hoje na posse da advogada alagoana Solange Bentes Jurema como nova presidente do CNDM. Das 20 conselheiras do CNDM, 15 foram substituídas.
Ruth Cardoso disse que as mulheres não estão "passivas", mas que a luta por melhores condições de vida depende do casal. Em seu discurso, afirmou que "o feminismo trouxe enorme contribuição para a sociedade" e que é necessário continuar procurando alternativas para as mulheres. Para a primeira-dama, a igualdade de gêneros depende de "mobilização" da sociedade para ser cumprida. "Não está nas mãos do governo fazer isso", disse Ruth Cardoso. "Está nas mãos do governo criar os instrumentos para isso e eles existem."
A primeira-dama afirmou que há garantia de igualdade entre homens e mulheres e a lei que destina percentual para mulheres em cargos eletivos, de 25% do total de vagas. Mas a primeira-dama acha que ainda não há muito interesse das mulheres em fazer política-partidária. "Não que elas não façam política", disse. "As mulheres fazem política. Não fazem política partidária."
Ruth Cardoso acredita que o Brasil terá muitos avanços para apresentar em junho do ano que vem na China, quando serão discutidos os avanços da Conferência de Beijing, cinco anos depois da primeira reunião. De acordo com a primeira-dama, o Brasil vai apresentar avanços na área educacional, mas ela acredita que o País ainda deixa a desejar na violência contra as mulheres.
Solange Bentes anunciou que a violência contra as mulheres será uma das principais bandeiras de luta do novo CNDM. Ela afirmou que este assunto é um dos poucos que não deverá mostrar avanços em Beijing. "Não conseguimos uma resposta satisfatória", disse. Solange afirmou ainda que o o CNDM vai lutar por vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) para mulher. "Queremos o olhar feminino no STF", declarou. Para ela, de nada adianta as mulheres terem uma cota de cargos eletivos se os partidos políticos "não direcionam as verbas" para as candidatas. "Elas vão concorrer em situação de desigualdade com os homens", disse.
O CNDM passa a ter um novo perfil, contando agora com trabalhadoras rurais, sindicalistas, mulheres negras e amazônidas, juristas, professoras, médicas e a atriz Eva Wilma, estrela do seriado "Mulher". "O setor cultural abre mais a cabeça de homens e mulheres", declarou a atriz, observando, entretanto, que a discriminação existe na questão salarial. Ela explicou que nestes casos a atriz "obtém regalias e direitos que não deveria estar obtendo só pelo fato de ser uma mulher que chama a atenção".
O ministro da Justiça, José Carlos Dias, lembrou ter defendido mais de 100 mulheres perseguidas pelo regime militar e ficou emocionado ao homenagear a socióloga Heleni Guaíba, morta em 1972, após ser torturada em Petrópolis. "Esse fato me comove até hoje", disse o minsitro, "Sou muito amigo da família dela."
O CNDM conta ainda com representantes da comunidade negra, sindicalistas, área de saúde, empresarial e governamental. Há representantes dos ministérios da Saúde e do Trabalho e da Secretaria de Assistência Social.

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