Ruth Cardoso pede mais criatividade
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quarta-feira, 11 de novembro de 1998
Demétrio Weber 
A primeira-dama Ruth Cardoso garantiu ontem, em Brasília, que os cortes no Orçamento de 1999, que reduzem em R$ 1,57 bilhão a previsão de gastos em programas de Educação e Saúde, não significam o fim dos programas sociais do governo. Ninguém está acabando com os programas sociais, afirmou ao defender o ajuste. A necesssidade do corte é óbvia, disse a primeira-dama e presidente do Conselho da Comunidade Solidária, destacando o modo cuidadoso com que a equipe econômica passou a tesoura no Orçamento.
Defensora da adoção de parcerias entre o governo e a sociedade para enfrentar as desigualdades sociais no País, Ruth Cardoso destacou a criatividade como uma das soluções para a falta de recursos. Quanto mais articularmos parceiros, melhor vamos resolver esse problema, afirmou.
Segundo a primeira-dama, as carências encontradas nas cidades mais pobres não são problemas que podem ser resolvidos com verbas do governo federal: É muito mais do que isso que se precisa, concluiu.
Seguindo esse raciocínio, enfatizou a importância dos projetos desenvolvidos pelo Comunidade Solidária, por atuarem no sentido de dar condições de desenvolvimento às comunidades. A descentralização é a forma mais barata de atuar, afirmou ela, lembrando que cada região enfrenta dificuldades diferentes e, por isso, deve encontrar soluções próprias.
Temos prefeitos jovens que não são clientelistas e isso é novo no Brasil, constatou. Para Ruth Cardoso, iniciativas como as do Comunidade Solidária permitem o melhor aproveitamento dos recursos públicos: As verbas virão colocar-se sobre condições melhores de trabalho, disse.
O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, admitiu ontem, em Brasília, que o corte de 47,1% do orçamento de R$ 1,089 bilhão da sua pasta deverá reduzir o assentamento de sem-terra entre 10 mil a 15 mil famílias no próximo ano, em relação à meta de assentar 100 mil famílias. Deveremos, em compensação, alavancar recursos de outras áreas, de forma que a redução de verbas prevista em 47,1% deverá ser, efetivamente, de apenas 15%, assinalou Jungmann.
Segundo ele, o Ministério de Política Fundiária deverá agregar às verbas orçamentárias recursos provenientes de contas inativas e empréstimos internacionais. Jungmann destacou, entre os empréstimos internacionais, o financiamento de US$ 1 bilhão que será concedido pelo Banco Mundial (Bird) para execução do programa Banco da Terra, um novo instrumento de reforma agrária que o governo federal pretende efetivar a curto prazo. Além disso, Jungmann acrescentou que parte dos recursos do Programa de Crédito Especial de Reforma Agrária (Procera) será utilizada em uma operação de equalização dos recursos de linhas de crédito disponíveis em bancos oficiais.


