RUTH BOLOGNESE
Os vices de Beto
É de uma idiotice ampla, geral e irrestrita este debate sobre um candidato a vice-prefeito na reeleição do Beto Richa à Prefeitura de Curitiba. Por vários motivos óbvios:
1) Já existe candidato sacramentado: o atual vice, Luciano Ducci;
2) O vice ideal, deputado Gustavo Fruet, não é louco de perder patente política;
3) O tal do acordo branco PSDB-PMDB é mais improvável do que a versão Ronaldinho;
4) Assunto que se discute em jantar de deputados meio tchucos só deve dar sono;
5) Finalmente e, por isso, mais importante, não se mexe em time ganhador.
Dificuldade
Ser vice de Beto Richa todo mundo quer. É mamão com açúcar. Quero ver é o cabra macho que vai topar ser candidato à vice do Carlos Moreira, o reitor da UFPR, candidato a prefeito da Capital pelo PMDB.
Aí só sob duas condições: pagar promessa ou vocação pro anonimato absoluto.
Reunião de herdeiros
Assuntos como acordos políticos brancos (o termo é racista e contraditório), ou vices em potencial, são frequentes nos jantares de um grupo de deputados, alguns já passados dos 40, que têm em comum famílias de posses, são herdeiros políticos e poucas idéias viáveis na cabeça.
E se reúnem, de vez em quando, sob a bandeira ''apartidária'', algo equivalente em política como um swing de casais onde só vale dar uns amassos.
Novo nome
Sei não. Em Paranaguá, quando políticos se reúnem fora do plenário são chamados de ''a turma da Camisola''.
Por causa da intimidade temporária que desfrutam.
Calma, Cara
O grande líder da ''turma da Camisola'' curitibana é o deputado Marcelo Almeida, do PMDB, que sempre defendeu uma atuação política na base do suprapartidarismo, sem sucesso. Talvez, por isso, seus colegas reclamam que ele anda muito ''nervioso'' ultimamente.
Política, meu caro Marcelo, é a arte da inveja, da dissimulação e da retaliação. O resto é simpatia, quase amor.
Positivos, operantes
As principais lideranças do PSDB do Paraná (cabem num Ford K) se encontram hoje, no auditório do Cesumar, em Maringá, para a grande reunião regional do partido. Mas não sabem ainda se:
1) apóiam o prefeito Silvio Barros, PP, para a reeleição em outubro;
2) se lançam um mártir, quer dizer, um candidato próprio para prefeito;
3) se coligam com o PT de Ênio Verri;
4) ou todas as alternativas acima.
Descontentamento
Aos amigos próximos, bem próximos, o governador Roberto Requião confessa que gostaria de ver seu vice, Orlando Pessuti, defendendo com mais vigor o lado, vamos dizer assim, mais ideológico do governo que compõe.
Seria uma preparação para a candidatura ao governo pelo PMDB, com o que Pessuti tanto sonha.
Amor ao Coronel
Ou seja, se abraçar com o coronel Hugo Chávez, da Venezuela, rezar com o bispo Fernando Lugo, do Paraguai, xingar o pedágio e tomar uns mates com os sem-terra.
O bom e velho Requião, pelo jeito, perdeu o tino político: Pessutti, nascido e criado nos corredores da Assembléia, habituado no corpo a corpo eleitoral, é homem de fala mansa e de conchavos domésticos.
Sem chances
E porque nunca quis imitar o chefe, ou a ele se igualar, nem mesmo diante da perspectiva de ampliar o leque ideológico, é a razão que o levou, pela segunda vez a se posicionar como vice justamente de...Roberto Requião.
O padre do Poder
Já está tudo combinado. O padre Reginaldo Manzotti é quem fará o show-missa do Dia das Mães no Centro Cívico. O palco é o mesmo que foi utilizado no Primeiro de Maio.
Diferente
Padre Reginaldo é uma estrela em ascensão no governo Requião, seja lá o que isso signifique. Porque é mais bonito do que o padre Marcelo e mais esperto do que o padre voador. E amigo do secretário da Habitação, Rafael Greca.
Daltônicas
Da resposta mais correta
Durante palestra num dos sisudos tribunais federais em Brasília, o jurista paranaense, René Dotti quebrou o protocolo, dia destes, quando contou que a resposta mais ampla e mais acertada que já recebeu de um aspirante a magistrado, sobre os motivos da escolha da profissão, foi a mais simples: ''Porque quero ficar numa boa''.
É o tal do ser feliz para dar certo. Foi aplaudido com ''de força''.





