RUTH BOLOGNESE
Da carta de Puebla...
Para quem reverencia e se inspira na Carta de Puebla, um ato de fé na convivência de homens de boa vontade e na luta dos mais pobres e mais oprimidos, o governador Roberto Requião anda baixando o nível além do suportável pela chamada liturgia que o cargo lhe impõe.
...ao bordel mais próximo
Ao se referir, ontem, a deputados, conselheiros do Tribunal de Contas, opositores e afins, usou as seguintes expressões, de microfone em punho, e diante da imprensa:
1) ''Canalhas''
2) ''Patifes''
3) ''Com a cachorrada é no cacete''
4) ''Com a canalhada é no pau''
Apenas conceitos
Para justificar tais excessos verbais, o governador do Paraná, formado em Direito e Jornalismo e leitor voraz na juventude, indicadores de cultura elevada, explicou que falava apenas ''conceitualmente''.
A exemplo do líder
Bem, dentro dessa mesma linha, pode-se dizer, então, que o atual governo do Paraná é um reles covil de malacos analfabetos, onde um ou dois se salvam e o resto deve ser queimado no fogo do inferno até o fim dos tempos.
Tudo conceitualmente, claro.
O pior inimigo
A cada dia que passa o trigoverno confirma: não existe nenhuma oposição mais eficiente, mais capaz e destrutiva contra Roberto Requião do que... o próprio Roberto Requião.
Eta homem pra fazer confusão, meu Deus do céu!
Denúncia que debuta
O Brasil virou um País tão absurdo que o ex-ministro Alceni Guerra, e atual deputado do DEM, comemorou, com entrevistas à imprensa, o aniversário de 15 anos das denúncias de compra ilegal de bicicletas nas Lojas do Pedro que sofreu durante o governo Collor.
Devia mais era esquecer o passado e tocar o barco pra frente do Lago Paranoá.
Ratinho vai voltar
Enquanto aguarda os pareceres finais do Ministério das Comunicações ao processo de compra das televisões de Paulo Pimentel, o apresentador Ratinho pretende voltar, em breve, à telinha de Silvio Santos, de quem recebe um dos mais altos salários do País, em torno de R$ 2 milhões por mês.
Nesta semana recebeu sinal verde do patrão, desde que pague os custos da produção do programa. Vai encarar.
Fria demais
Amigos e familiares da estudante Amanda Rossi, 22 anos, encontrada morta dentro da casa de máquinas da piscina da Unopar, esperavam um pouco mais de comoção e solidariedade por parte da instituição diante da tragédia.
No campus
E com razão: a nota publicada pela Unopar teve jeito muito mais de quem quer tirar o corpo fora e evitar responsabilidades jurídicas do que quem se solidariza com a família diante de um crime bárbaro como aquele dentro do próprio campus.
Debate
No mínimo, a morte da aluna Amanda deveria ter gerado debates em sala de aula sobre a insegurança que se instala até dentro do campus universitário.
Investigações
A polícia de Londrina lida com um caso difícil, no qual não há sinais nem testemunhas e, por isso, coloca suas fichas nos exames técnicos que ficarão prontos no final da semana.
Nos últimos dias tomou força a suspeita de que quem matou a menina pode não ter sido necessariamente um homem.
É um sinal?
O Paraná inteiro está vendo, mas ainda não processou direito. Basta um chuvisco e as interrupções de energia fornecida pela Copel começam a pipocar.
Pelo menos é o que acontece na Capital.
Motivos
Só faltava essa agora, queda na qualidade do serviço da maior empresa paranaense, coisa que não se via há pelo menos 15 anos. E no Estado que mais produz energia no País.
Isso sim deveria deixar o governador Requião ''nervioso'', não a bobajada de sempre da oposição.
Um nordestino forte e alegre
Morreu ontem o Zé Eugênio, fotógrafo de grandes lidas por esse Paraná afora. Auto-didata da imagem, nordestino de Pernambuco que aportou nestas terras frias e aqui nos ensinou, num tempo de radicalismos à esquerda, que calor humano, um pouco de alegria e muita força de vontade podem, também, mudar o mundo.
Zé Eugênio trabalhou para Veja e Placar e para vários governos que passaram pelo Palácio Iguaçu. Enfrentou poucas e boas, sobreviveu até a um acidente aéreo, mas não soube viver sem a mulher, Dodô, que morreu a poucos meses. Partiu também.





