Uma sogra do barulho
O escândalo que sacudiu a prefeitura da Capital nesta semana e atingiu o principal assessor do prefeito Beto Richa, antigo colaborador do pai dele, Ezequias Moreira, acrescentou o parente que faltava na política brasileira: a sogra.
Já teve ex-patroa, filial, cunhado, genro, namorada, irmão e filho que, de uma hora pra outra, derrubaram carreiras sólidas e provocaram cassações e perdas de mandato.
Sogra é a primeira vez.

Furo regional
Para quem não leu os periódicos de ontem, a sogra de Moreira, dona Verônica Durau, foi apontada como funcionária fantasma da Assembléia Legislativa, que está investigando o caso.


Com juízo
Se tiver juízo, Beto Richa afasta seu principal assessor até que tudo seja esclarecido. Se não tiver, vai esperar pela hora da morte. Da boa imagem que tem junto ao eleitorado.

Maringá pontifica
O deputado federal, Ricardo Barros, toma posse na presidência estadual do PP, nesta segunda-feira, a partir das 13h no restaurante Devon's em Curitiba. A cerimônia terá a presença do ministro das Cidades, Márcio Fortes, também do PP.
É bom para o Paraná, mas melhor ainda para Maringá. Dá prestígio.

Do lado de lá
Há mais ou menos dois séculos Ricardo Barros e a mulher dele, Cida, deputada estadual, ocupam lugar especial neste lado esquerdo peito, como amigos de Maringá. Pelo lado ideológico, vamos chamar assim, estamos sempre distantes.
Mas, como diz o presidente Lula, a gente se gosta de graça. E o respeito mútuo permitiu até críticas do lado de cá, sem qualquer abalo no gostar.
Coisa boa.

Indústria sem Governo
Na segunda-feira os empresários do Paraná escolhem o presidente da Federação das Indústrias, FIEP, em voto indireto (são 96 sindicatos que o elegem) para os próximos 4 na anos. A eleição da maior entidade da área econômica coincide com o melhor semestre em termos de desempenho para a indústria do Estado em dez anos, com fábricas locais batendo recordes de vendas. São dados incontestáveis, do próprio IBGE.
O que tem uma coisa a ver com a outra? Nada. Historicamente, o setor produtivo local torce muito mais para o Governo não atrapalhar do que tentar ajudar. E com razão. Nestes últimos 10 anos, por exemplo, em pelo menos 6 deles, o governador de plantão, Jaime Lerner, bocejava quando falavam de agricultura perto dele. O sucessor, Roberto Requião, passou os 4 anos restantes preferindo ver o capeta do que grande produtor rural. E, vejam só, o desempenho do agro-negócio, impulsionado por circunstâncias internacionais, tem quase tudo a ver com o desempenho das indústrias paranaenses na última década.
Por tudo isso, a eleição de segunda-feira na FIEP acontece com os dois candidatos, Rodrigo Rocha Loures, que briga pela reeleição, e Álvaro Scheffer, da oposição, mantendo uma distância pragmática do Palácio Iguaçu. E vice-versa. Da parte dos empresários, aparecer na campanha de braço dado com o governador Requião seria a mesma coisa que levar a sogra no baile. E, para Requião, apoiar um ou outro candidato seria correr o risco de pagar o mico sem nem fazer parte do jogo. Dois assessores palacianos, Luiz Mussi e Virgílio Moreira Filho, este secretário da Indústria e Comércio, investiram na candidatura de Álvaro Scheffer, mas não fizeram grande diferença.
Enfim, cada um com seus problemas. E a partir de segunda-feira, o novo presidente da FIEP, seja ele quem for, pode se comportar nos próximos 4 anos com muito mais independência do que os antecessores porque já decorou o mantra: governos em geral, quando não atrapalham, devem ficar na conta final como lucro líquido.

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