De covardia
Pequenos detalhes numa grande tragédia como a da TAM, podem revelar muito sobre governos, empresas e até sobre a imprensa.
Foi um ato de pura covardia, para não dizer absoluta falta de sensibilidade e arrogância, o governo Lula se esquivar atrás de um porta-voz completamente desconhecido, que leu uma nota oficial burocrática, enquanto um avião com 186 brasileiros ardia em chamas em São Paulo.

Estratégia sem sentido
Não dá para entender estratégia de marketing ou conselhos de assessores que recomendam ao líder de uma nação machucada a ausência num momento destes. Medo de dizer a frase errada? Assumir a culpa? Pura balela.
O momento exige solidariedade. E o governante tem que agir como um pai que consola. A questão da responsabilidade, ou de buscar culpados sobre o ato em si, vem depois.


A lá Bush
Pelo jeito, o presidente Lula, um homem que chorou ao receber o diploma de eleito e na glória emocionou o País, viveu seu dia de Bush. Ontem Lula se submeteu a uma pequena cirurgia na pálpebra.

Medo de ser feliz
E a partir de agora, o governo Lula pode fazer o que quiser, até mesmo provar por A mais B que não teve responsabilidade direta sobre o maior acidente aéreo da história do País e, mesmo assim, não se livrará da aura da incompetência. Era justamente este o medo de ser feliz que levou a classe média a relutar tanto em entregar o País para uma administração petista.
Tinha razão.

Sem informações
No que toca à empresa do setor, a desorganização do sistema de transporte aéreo brasileiro ficou explícito no fato de que a TAM sequer sabia quantas pessoas transportava no vôo 3054. Levou três horas para divulgar a lista de passageiros e, ainda assim, informou um número, refeito na manhã de ontem, com o acréscimo de uma dezena de passageiros.

Pior cobertura
E o pior acidente da aviação brasileira recebeu do telejornal de maior audiência do País, o Jornal Nacional, uma cobertura assustada, medíocre e completamente desarticulada. Enquanto a Band transmitia imagens ao vivo meia hora depois do choque, com narração de arrepiar da repórter Eleonora Pascoal (ex-Globo), um William Bonner catatônico ainda falava em ''derrapada'' na pista.

Sem respeito
A mesma Globo que manteve no ar os dois humorísticos, Casseta & Planeta e A Diarista, enquanto os outros canais transmitiam imagens dos parentes das vítimas em desespero. O País entrando no luto e um bando de saltimbancos querendo fazer graça na tela.
Globo e governo Lula, tudo a ver!

Muito próximo
O deputado Luis Carlos Hauly estava se preparando para suceder ao deputado gaúcho Julio Redecker, morto no acidente, como líder da minoria na Câmara dos Deputados.
Redecker era considerado um bom parceiro pelo paranaense e chegou a fazer requerimentos para saber a quantas iam os carros alugados pela Renacar do Assad Jannani e José Janene para os Correios e Furnas.

Sem frieza
Existem tragédias que nos atingem de tal maneira que tornam qualquer outra notícia, a matéria prima básica do dia-a-dia do jornal, sem razão de ser. Pode ser um defeito profissional, um cacoete adquirido com o passar dos anos, mas ontem não foi possível sair em busca de informações ou de novidades para a coluna.
Que desculpem os leitores: hoje só dá pra dividir luto e indignação.

Daltônicas

De dor solidária
A arquiteta paulista Vânia Zanocco, uma brasileira comum, que costuma usar o Aeroporto de Congonhas nas visitas frequentes ao noivo curitibano, soube da notícia pelo rádio do carro, no trajeto do trabalho para casa. Da sacada do apartamento, no bairro Pinheiros, viu ao longe o clarão do fogo e a fumaça.
E chorou.

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