RUTH BOLOGNESE
Dinheiro de volta
O princípio filosófico governamental, que custou o cargo ao ex-ministro Ricupero no governo FHC, aquele mesmo do o que é bom a gente espalha e o que é ruim a gente esconde, não vale no Paraná.
Ou melhor, vale ao contrário.
Melhor notícia
Pois que o governador Roberto Requião tinha, anteontem, a melhor notícia do governo dele para dar aos paranaenses depois da saída do Padre Roque Santeiro. E, mesmo assim, escorregou na maionese de novo.
Ora, desde quando se viu um governo federal devolver R$100 milhões limpinhos para um governo estadual e, ainda por cima livrar o Tesouro Estadual de uma multa de R$10 milhões por mês?
Tudo a favor
E, além de ter dinheiro em caixa, a decisão do governo Lula em devolver dinheiro para o governo do Paraná, mata um monte de coelhos de uma vez só. A ver:
1) Comprova que o governo Lerner tem, sim, muito a explicar sobre a privatização do Banestado;
2) Mostra que o presidente Lula ainda mantém aquela coisa de pele com Roberto Requião e
3) Fortalece ainda mais o apoio do PT ao PMDB do Paraná.
Só coisa ruim
E, mesmo com todos estes pontos a favor, o governador Requião preferiu ficar falando mal do prefeito Beto Richa, e de seus adversários do momento, durante mais de três horas na tal Escolinha semanal de Governo.
Isto sim é o que se pode chamar de torcer contra.
Primeiro trabalho
A decisão da Secretaria do Tesouro Federal em aceitar os argumentos do governo do Estado no caso Banestado foi resultado do primeiro trabalho do secretário do Planejamento, o petista Enio Verri, que pegou o touro à unha e assou inteirinho.
Ingo ganhou...
O ex-presidente da Copel, Ingo Hubert, realmente ganhou o direito de participar dos leilões de venda de energia da empresa, através de liminar na Justiça, conforme nota de ontem nesta coluna.
...mas não levou
Mas assim que detectou algumas manobras na comercialização da energia, a Copel suspendeu os leilões. E Ingo não comprou nada.
Fiscalização de menos
Neste complicado mercado de compra e venda de energia quem ganha são as empresas comercializadoras, vulgo, atravessadoras, e quem acaba pagando o pato são os contribuintes, ou seja, nóis.
Falta mesmo é fiscalização do governo Federal.
Saudades
E o que mais se ouve nos corredores da Sanepar atualmente é no tempo do Caio Brandão a gente era feliz e não sabia.
Caio Brandão foi aquele presidente da Sanepar, egresso da empreiteira Andrade Gutierrez, que pensava antes na saúde financeira da empresa e depois na tarifa de graça.
Nota para magoar Roberto
O ex-governador Jaime Canet Junior aceitou ser testemunha de defesa do ex-ministro Euclides Scalco no processo que ele move contra o governador Roberto Requião por calúnia e difamação. É no caso dos famosos R$ 10 milhões que teriam sido bipagos ao empreiteiro Darci Fantin. Até agora, só placas.
E a Linha Verde do prefeito Beto Richa, amarelou?
No trânsito com o Ministro
Há algum tempo, durante um trajeto pelas ruas de Curitiba em que esta brava jornalista, nervosa ao volante como sempre, dirigia um carro aos trancos e barrancos, o ministro Reinhold Stephanes arriscou um palpite:
Pode sinalizar à direita e entrar na frente dos outros carros. E fique tranqüila porque o sujeito que vem atrás pensa, antes de tudo, na autopreservação e breca antes de bater.
Seria um sinal?
Bem, pode ter sido apenas orientação superficial para uma motorista de quinta categoria.Ou a revelação espontânea de como vencer uma batalha pela indicação ministerial: sinalizar à direita para um Governo que, mesmo de esquerda, defende em primeiro lugar a própria sobrevivência.
É, só podia ser um sinal.
DALTÔNICAS
De descobertas
De volta aos bancos escolares para fazer Mestrado, a pré-cinquentona descobriu uma dificuldade insuspeita depois de passar horas sentada e concentrada no conteúdo da aula.
Já não é bem a cabeça que não ajuda. É a bunda.
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