Começar de novo

  Uma Tri-posse, como a do governador Roberto Requião, é mais ou menos como uma terceira lua-de-mel com o mesmo parceiro: faz-se um esforço deliberado pra que tudo de certo, mas tesão mesmo, não tem.
  O lado positivo? Como os personagens já se conhecem muito bem, ninguém precisa ter fantasias ou expectativas. Depois das preliminares de praxe, é virar do lado e dormir, que amanhã tem trabalho.



Governo de Esquerda

  Mesmo com poucos deputados, poucos prefeitos e pouco povo, e sem grandes emoções, esta posse teve um sentido histórico para o governador Requião.
  Finalmente, num belo discurso, usou a frase emblemática com que ele e dois assessores, Doático Santos e Benedito Pires, vinham sonhando há 30 anos: a de que fará no Paraná um ‘‘Governo de Esquerda’’, voltado para os pobres e oprimidos.



Novo conceito

  Nem o agronegócio, nem o grande capital precisam cortar os pulsos por causa do tal ‘‘Governo de Esquerda’’. Nos dias de hoje, e em se tratando da federação brasileira, o que o governador Requião quis dizer é que nada muda no Paraná com relação ao leitinho das crianças, tolerância com os Sem Terras, rusgas com o Itaú, com o pedágio, com a mídia, etc, etc.



Não esqueceu

  Além de mostrar o coração vermelho, o governador deixou claro, claríssimo, que não superou os pouquíssimos 10 mil votos que lhe deram a vitória.
  E apontou o grande culpado, a imprensa, a quem prometeu retorno em forma de publicidade oficial zero.



O social da posse

  Mas uma posse de Governo, mesmo burocrática e previsível, sempre é um acontecimento social. E revela mais pelos detalhes do que pela seqüência do espetáculo. Vamos aos detalhes, portanto:



Um novo personagem

  O pefelista Cláudio Lembo, vice de Geraldo Alckmin no governo de São Paulo, é o novo paradigma político do Paraná. Foi reverenciado, ontem, pelo próprio governador, depois que andou falando contra as elites brancas do Brasil.



Troca de poetas

 Na preferência das citações, sai o poeta português Sindônio Muralha, aquele do ‘‘se caráter custa caro, pago o preço’’, e entra o apóstolo Paulo, do ‘‘Combater o bom combate’’.
  Expressões gaúchas, como ‘‘Valente Galo de Rinha’’ também estão em alta. Referências aos pobres da Carta de Puebla idem.



Sobre secretários

  Nada de novo no front do novo secretariado. Mas chamou a atenção o sobre peso do recém empossado chefe da Casa Militar, Anselmo
José de Oliveira. Nem a farda, impecável, escondeu os quilos a mais na região abdominal. Barriga mesmo.



Brega demais

  Ficou meio brega aquela entrega dos ramalhetes para a primeira dama, Maristela e para a vice, Regina, ao som de ‘‘Fascinação’’ na Assembléia Legislativa.
  Mais brega ainda foi o locutor chamar o povo, no final da cerimônia, para experimentar os ‘‘acepipes’’ que seriam servidos.



Elegância...

  Dona Maristela vestiu um modelito super moderno laranja vivo, inspirado nos anos 50, com tirinhas nos ombros. Sapatos de salto fino, em tom mais escuro. Ela está magra e bronzeada, o que dispensa qualquer elogio adicional. Mas poderia ter usado pelo menos uns brinquinhos. Afinal, a opção pelos pobres é do marido, não dela.



...decote...

  Roberta, a única filha, usou vestido amarelo-limão, ou qualquer cor nesta linha. Mas o que chamou atenção mesmo foi o decote, mais do que generoso, na área frontal.



... e cabelos!

  E o filho, Maurício, primeiro sucessor na linha do trono, portava um cabelo curto, penteado pra frente, muito parecido com o do Mr. Bean.



De férias

  A partir de amanhã, esta brava colunista entra em férias por 20 dias. Um bom ano a todos!


[email protected]

mockup