Os pobres na rede
  Até as pedras sabem que o governo Lula se sustenta em duas bases muito sólidas: os muito pobres e os muito ricos. À classe média sobram os aeroportos em pane total e as tevês de tela plana em 36 prestações com juros estratosféricos.
  Para saber como funcionam os privilégios dos mais ricos basta se debruçar nos balanços anuais dos Itaús e Bradescos da vida. Ou na amurada dos iates brancos que singram os mares brasileiros neste verão que começa senegalês. Mas como os ricos não gostam de misturar estações no dia-a-dia de suas delícias, para saber deles há que se ficar com os números dos balanços mesmo.
  Mas os pobres, estes sim, não têm vexame dos novos privilégios. Ao contrário, mostram as novas regalias como se fossem conquistas extraordinárias, e aí fica fácil dimensionar a rede de proteção que o governo Lula estendeu de Norte a Sul do País nestes 4 anos do quase tudo pelo social.

Bem de perto
  Não tem nada de mais, nem de muito novo, a história da ex-empregada doméstica com o típico nome de Sineide, nascida e criada no Norte do Paraná e migrante em Curitiba. Apenas um revés num momento qualquer da vida que a tirou do prumo e a jogou no quarto extrato da população, expressão do ex-ministro da Fazenda, Karlos Richsbieter, para referenciar aqueles pobres mais pobres do Brasil.
  E eis aí uma mulher de 31 anos, em profunda depressão, que saiu pelo mundo sem eira nem beira e criou um hiato de quase três anos sem notícias para a família. De volta a Curitiba há 5 meses, mais deprimida e mais muda do que antes, sem emprego, com uma gravidez de risco e sozinha, Sineide já tinha deixado o quarto extrato para cair no quase nada em termos da sobrevivência. Andarilha mesmo.
  Um aumento exagerado da pressão sangüínea no oitavo mês da gravidez e ela foi parar na Maternidade Maracanã, periferia da periferia mais pobre da Capital. Neste momento, Sineide, que nem do sobrenome se lembrava direito, caiu na rede de proteção oficial do Estado brasileiro e acabou mostrando, na prática, porque Lula foi reeleito e é o presidente com índices de popularidade históricos.

Tudo à mão
  Para começar, a moça-mendiga recebeu, de imediato, toda assistência médica e psicológica necessária, além de roupas, para ela e o bebê. Um psiquiatra foi chamado para avaliar o caso e a assistência social fez a pesquisa para localizar a família a partir dos poucos dados fornecidos por ela. Reuniu-se o Conselho Tutelar que passou a responder pela criança.
  Uma parada respiratória depois de um surto pós-parto, e Sineide foi transferida para uma UTI da Santa Casa de Curitiba, onde permanecia até a última sexta-feira. Enquanto isso, o Conselho Tutelar pesquisou toda a família para encontrar um casal em condições de assumir a guarda da criança temporariamente. O bebê, já em perfeitas condições de saúde, foi entregue, então, para o irmão mais velho de Sineide, que tem família estável, e é pai de dois filhos.
  Antes de ser liberado pela Maternidade, o recém-nascido recebeu um enxoval completo e todas as recomendações médicas necessárias. Ainda sem nome e com a mãe no hospital, levou junto um documento que o habilita a ser atendido em qualquer hospital da rede pública da Capital.

Bolsa-Família
  A Assistência Social que atua na região do Jardim Maracanã,já comunicou à família de Sineide que ela fará tratamento psicológico assim que estiver em condições físicas para isso. Também já está inscrita no programa Bolsa-Família e terá o cartão até que esteja preparada para trabalhar.
  Mais de 20 dias após a internação, e a família de Sineide gastou apenas as passagens de ônibus para visitá-la.Tudo o mais, de medicamentos, alguns deles caríssimos, ao leite da criança, foi fornecido pelo poder público.

Pela necessidade básica
  A história de Sineide mostra qual é a extensão da rede de proteção que o governo Lula estabeleceu para os pobres. Num país de 40 milhões de pobres, dá para discordar disso? Não. É até reconfortante contar uma história assim. Mas, como já mostraram todos os sociólogos e pesquisadores sérios ‘‘deste país’’, se os pobres estão bem atendidos, e os ricos satisfeitos, é hora de começar a governar. Ou seja, do governo montar a infra-estrutura necessária para fazer o Brasil crescer e dar emprego para todos estes pobres atendidos e bem alimentados...

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