RUTH BOLOGNESE
Preocupação geral
Tem gente do primeiro escalão do governo Requião preocupada por que teve conversas gravadas pelo esquema Rasera.
Tem gente do primeiro escalão do governo Requião preocupada porque não teve conversas gravadas pelo esquema Rasera.
As razões
No primeiro caso, porque falaram o ''infalável''. No segundo, porque o que falaram não interessava a ninguém. Pura falta de prestígio.
Rede no Governo
O senador Osmar Dias reclama do uso da máquina pelo candidato à reeleição. É muito mais do que isso: existe até a Rede do Governo do Paraná, RGPR, que funciona a mil por hora, e controla tudo, até a presença de cada funcionário público nas inaugurações de obras do Governo.
É a Grande Irmã.
Com eles, não
Os candidatos Luiz Eduardo Cheida e Elza Correa estão distantes do comitê de campanha de Requião em Londrina. Não querem saber de conviver com o pessoal do ex-prefeito Antônio Belinati, que grudou no PMDB e não dá espaço pra ninguém.
Presença incômoda
Neste domingo, por exemplo, Eduardo Alonso, o famoso braço direito de Belinati na época da prefeitura descia, faceiro, de uma Cross Fox, com pastinha na mão, no comitê da Rua Alagoas. E já era aguardado por outros belinatistas de quatro costados.
Dois prefeitos
Cheida e Belinati, dois ex-prefeitos de Londrina, disputam vaga na Assembléia Legislativa, nestas eleições. Têm biografias e estilos completamente diferentes. Um aposta no populismo, nos Cinco Conjuntos, o outro no voto consciente, da classe média.
As urnas vão mostrar quem pode mais.
Confissão necessária
Antes perder o empreguinho do que a confiança do leitor: apesar de todo o esforço e do dever do ofício, dormi no terceiro bloco do debate político da TV Paranaense, anteontem, e acordei com a despedida do senador Osmar Dias dizendo que era oposição e tinha que escurecer mais a barba e clarear os cabelos. Ou algo assim.
Atenuantes
Mas há justificativas para a falha técnica:
1) as regras do debate da TV Paranaense foram mais confusas do que manual de fazer tricô, o que impediu candidato até de olhar feio para outro candidato;
2) o sempre explosivo Requião seguramente tomou a mesma maracujina que Flávio Arns usa de hora em hora. Estava calmo e alheio a tudo. Tanto que chamou Flávio de ''Oswaldo'' e revelou para a história que o pedágio foi a causa da Revolução Francesa.
3) a deputada e candidata Cida Borghetti também dormiu e, ao contrário da grande maioria dos paranaenses, teve coragem de admitir.
Lugar da imprensa
Diante do emocionalismo e - porque não? - do partidarismo da imprensa local na campanha eleitoral, ainda assim, a voz consciente e clara é a de sempre, a do jurista e professor René Dotti, que lembra o ex-presidente norte americano, Thomas Jefferson, para mostrar nosso lugar: ''se pudesse decidir se devemos ter um governo sem jornais ou jornais sem governo, eu não vacilaria em preferir a última alternativa''.
Governo com jornal
Aqui no Paraná, o governo de Roberto Requião instaurou a doutrina Jefferson à sua maneira: tem Governo e tem jornais. Só que, com raras exceções, os jornais são do Governo. E a maioria das rádios e das TVs também.
Melhor, não pertencem ao Governo. São sustentados por ele. E quem não participa, se trumbica.
Respeito
Com sua postura límpida e sempre pronta a defender jornalistas das garras do poder, René Dotti, sozinho, faz mais pela categoria do que o sindicato da categoria e todas as associações de classe, juntos.
Requião, por exemplo, só tenta quebrar dedo de repórter quando ele não está por perto.
Daltônicas
De ecumenismo
A freira diz que é parapsicóloga. O jornalista confunde tudo e a convida pra frequentar um terreno de Umbanda, ''dos bons''.
Ela faz o sinal da cruz. Por causa do Tranca Rua.





