RUTH BOLOGNESE
Primeiro round
A campanha de Roberto Requião jamais vai admitir, mas a prisão do policial Délcio Rasera, funcionário do governo e acusado de fazer gravações clandestinas, foi o primeiro golpe que abalou a auto-confiança da reeleição.
Rasera está lotado na Casa Civil, que ocupa o segundo andar do Palácio Iguaçu. Perigosamente perto, portanto, da sala do governador.
Tema difícil
Para o eleitorado do leitinho das crianças, o assunto de grampo telefônico é algo mais próximo de filme americano de espionagem do que assunto do dia-a-dia. Mas, de repente, pega. E depois do grampo espalhado, adiós.
Luz vermelha no pedaço.
Mudança de hábito
E o mais curioso é que está história de grampo telefônico mudou as formas de comunicação do funcionalismo público do Paraná. Todo mundo agora se fala por códigos, com medo de vazar informações sigilosas.
O envio de um simples e. mail, por exemplo, é tratado sob a sigla ''seguiu viagem'' . Um barato, este pessoal.
Irmão meu
A eleição está embocando para os finalmente e o senador Álvaro Dias ainda nem apareceu pra gravar mensagem de apoio ao irmão, Osmar. Também não pede voto pra ele no horário eleitoral, como o fazem Gustavo Fruet e Luiz Carlos Hauly, ambos do PSDB.
Tal e qual
Pelo jeito a força do sangue não está conseguindo superar a vontade de Álvaro Dias disputar o governo do Paraná novamente em 2010, coisa que não vai acontecer se Osmar for eleito agora e, claro, concorrer à reeleição.
Mesma situação do prefeito Beto Richa, que não é irmão de sangue, mas se mantém absolutamente neutro no apoio a Roberto Requião.
Pequena mágoa
Se tem razões políticas para ficar distante da campanha de Osmar Dias, o prefeito Beto Richa guarda uma pequena mágoa que remonta à eleição para prefeito. No segundo turno, quando o petista Ângelo Vanhoni jogou no ar uma grave denúncia sobre compra de votos por cabos eleitorais de Beto (desmascarada depois), Osmar Dias foi chamado a fazer um novo depoimento de apoio.
Negou e teve que ser substituído às pressas pelo deputado Luiz Carlos Martins, que comprou um aparelho de barbear a caminho do estúdio de gravação para se apresentar bem no horário eleitoral.
Samek feliz
Quem anda de bem com a vida é o coordenador da campanha de Lula no Paraná, o ex-diretor da Itaipu Binacional, Jorge Samek. Relaxa à sombra dos bons números das pesquisas da reeleição e se mantém equidistante das picuinhas petistas locais. Tá certo ele.
Discrição demais
E o pessoal da campanha da candidata Gleisi Hoffmann não aproveitou, até agora, com vontade, o crescimento dela nas pesquisas. Passou de míseros 2% para 16% de preferência do eleitorado e o tom da propaganda política permanece o mesmo.
Era hora de soltar rojão e falar em vitória já. Vibração contagia.
Outro lugar
Geraldo Alckmin desembarca hoje em Curitiba, mas não vai ao jardim Maracanã, em Colombo, na região metropolitana, onde Lula esteve na semana passada. Vai ficar ali por São José dos Pinhais, igualmente na região metropolitana, mas com mais cacife financeiro.
A baixo preço
No Mercado Municipal de Curitiba, a plaquinha da loja de variedades oferece: ''charuto Dom Lula a R$ 2.20 o par''.
Desperdício
E, enquanto isso, a draga holandesa continua paralisada no Porto de Paranaguá, causando prejuízos que já se aproximam dos R$ 3 milhões. A Marinha, através da Capitania dos Portos de Paranaguá, não vai permitir a dragagem em forma de S, como quer o superintendente, Eduardo Requião. Por comprometer a segurança da navegação do Canal da Galheta.
O clima no Porto não é bom por causa disso. Até com ameaças de morte.
Daltônicas
De desculpa esfarrapada
Diante da patroa reclamando (e com razão) das prolongadas ausências, o marido contra argumenta: ''Mas eu sempre assisto 'Belíssima' com você''.
Era melhor ter ficado quieta.





