RUTH BOLOGNESE
O lado de cá
Somos 7.121. 247 eleitores paranaenses, o que é gente que não acaba mais, para escolher entre os 825 candidatos mais 1, o Zé Borba do Mensalão, aqueles que irão governar, legislar e nos defender lá em Brasília a partir do ano que vem.
Mas a regra é assim: não basta escolher, tem que ficar de butuca o tempo todo. Se deixar tudo solto, os escolhidos passam a se sentir donos do pedaço. E aí dá no que já deu, com fulaninho confundindo o dinheiro público com jarro público, onde qualquer um pode colocar a mão.
De contradições
O jeito de fazer política do senador Álvaro Dias (PSDB), espanta. Ele garante, com todas as letras, que fará campanha para seu irmão, Osmar, virar governador. Mas direciona suas críticas ao Governo Federal porque não quer criar animosidades com o Governo Estadual.
Tradução simultânea: uma mão lava a outra e com as duas é possível massagear o rosto e evitar rugas futuras.
Ou: para evitar que o PMDB lance candidato pra valer ao Senado vale até ficar de boca fechada. Por enquanto.
O sonho do PMDB
A exemplo de Martin Luther King, o PMDB também tem um sonho. Sonha que o tão aclamado apoio do campo paranaense à candidatura de Osmar Dias ao Governo se limite ao cooperativismo e aos produtores filiados. Os demais segmentos, todos os campesinos e sem-terra aí incluídos, vão ficar mesmo é com Roberto Requião.
Outro sonho do PMDB
Sonha, também, o PMDB que o candidato da coligação PPS/PFL, Rubens Bueno, venha com o mesmo discurso do voto limpo das duas campanhas passadas e que os 7 milhões de eleitores paranaenses já tenham se cansado de tanta limpeza de voto e de urna e vão ficar mesmo é com Roberto Requião.
Terceiro sonho do PMDB
Para completar a fantasia, o PMDB sonha que os eleitores paranaenses farão da memória um grande aliado e, para vingar a esperança perdida no governo do PT, deixarão Flavio Arns de lado e vão ficar mesmo com Roberto Requião.
Sonham com isso, todas as noites, o Dobrandino Silva, o Caíto Quintana e o Hermas Eurides. Mas falta ainda combinar com os adversários.
Preocupação
A maior preocupação do pessoal que cerca Osmar Dias, e que fez tanto esforço para que ele assumisse a candidatura, é o próprio Urtigão. Temem que falte nele o que sobra em Álvaro Dias: aquela vontade, aquele comichão, aquele tremelique que toma conta dos políticos quando a campanha eleitoral começa.
Se não tiver isso, dança. Pior, não desa...brocha.
Lá...
O controle interno da presidência da República está cobrando a devolução dos salários indevidos recebidos pelo ministro Álvaro Costa (Advocacia Geral da União) nos últimos três anos. Ele teria recebido mais que o teto de R$ 24.500,00 permitidos para funcionário público do País porque acumulou aposentadoria com remuneração de ministro.
...e aqui
Trata-se do mesmo caso do chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, que já recebe aposentadoria além do permitido do Tribunal de Contas do Paraná e acumula com o cargo que ocupa. O processo da promotoria pedindo revisão (e certamente) devolução do dinheiro indevido está correndo no TC.
Correndo, não. Está mais é andando devagar, quase parando.
Cheida estadual
O ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida desistiu da candidatura a deputado federal pelo PMDB e ficou com a estadual mesmo. Conseguiu desagradar outros três postulantes/concorrentes na região Norte: Elza Correia, de Londrina, Zé Maria Ferreira, de Ibiporã e Gilberto Martin, ex-prefeito de Cambé, que já estão em campanha.
De coração ausente
Só mesmo o escritor Luiz Fernando Veríssimo para definir com precisão o sentimento brasileiro na final da Copa do Mundo entre França e Itália neste domingo: a gente até assistiu, comentou, vibrou. Mas o coração já tinha ido embora há muito tempo.
Daltônicas Do inevitável
O avô emplacou os 70 conservadíssimo, apontado como exemplo de boa saúde por toda a família. Só o neto mais novo reparou no detalhe e diz que o avô é um jovem com cabelos muito velhos.
Conservadíssimo mas de cabelos branquinhos, branquinhos.





