RUTH BOLOGNESE
A influência do voto
A primeira decisão da Convenção do PSDB, que se reúne hoje, é transferir ou não para a Executiva Nacional do partido o caminho a tomar nas próximas eleições: Requião ou Osmar Dias. Se cair nas mãos da Executiva, Osmar receberá o apoio do partido. Do contrário, os 500 delegados vão decidir a parada no voto.
Como o discurso da independência local costuma pegar mais que fogo em palha seca nestas horas, é certo que a decisão será votada mesmo pelos convencionais. E é aí que o bicho vai pegar.
Os grandes personagens
O apoio do PSDB a Osmar ou Requião vai depender, na verdade, de três personagens: o prefeito de Curitiba, Beto Richa, o presidente da Assembléia, Hermas Eurides Brandão e o presidente do Tribunal de Contas, Heinz Herwig.
No caso do Beto, o que ele declarar agora, pode não se tornar realidade na campanha. Ou seja, da boca pra fora é Osmar Dias. No pega pra capar da campanha pode colocar toda a força da prefeitura a favor do governador Requião, que foi mais do que uma mãe pra ele até agora, em termos de recursos. Sem os agrados do Palácio Iguaçu, a maior promessa da campanha de Richa, a queda na tarifa de ônibus, já teria ido pro beleléu.
Então, é melhor observar Beto Richa só depois. Not now.
Churrasco de tucano
O que pode mudar o rumo da convenção do PSDB, hoje, é na verdade o papel desempenhado nos últimos dias e sacramentado numa reunião, ontem à noite, dos outros dois personagens, Hermas Brandão e Heinz Herwig. Decididos a levar o PSDB para o apoio à reeleição de Requião, a qualquer custo, ambos contataram os seis deputados estaduais tucanos com maior influência junto aos diretórios e delegados e, como sempre ocorre nestes momentos cruciais, usaram todo tipo de argumento.
Só o resultado da convenção de hoje vai mostrar se Hermas e Herwig tiveram sucesso na empreitada.
O preço da alcatra
A revelação foi feita pelo próprio governador Requião, ontem, sobre negociações de apoios nestes tempos de convenções partidárias: quando um político estabelece como forma de pagamento, ''um quilo de alcatra'' está querendo receber R$ 1 milhão para optar por este ou aquele candidato majoritário.Requião revelou que já recebeu (e negou, óbvio), pedido de três alcatras.
Como se vê, a política se transformou num grande churrasco, onde só os peixes grandes comem filé de alcatra. Os demais, votam.
Incentivo ao Capital
A liberação de R$ 1,6 milhão para asfaltar o trecho de 6 quilômetros entre Ribeirão Claro e a represa de Xavantes, anunciada nesta semana pelo governador Roberto Requião, mata dois coelhos. Agrada o povo da cidade e,por tabela, deixa mais feliz o presidente da Assembléia, Hermas Eurides, que se uniu a uma rede norte americana de hotéis para um grande investimento exatamente à beira do novo asfalto.
Teimosia é pouco
E o troféu Osso duro de Roer vai neste mês para o deputado pededista Augustinho Zucchi. Quando nem o próprio Osmar Dias acreditava mais que seria candidato ao governo, Zucchinha manteve-se firme e forte na trincheira.
Se a chapa for puro sangue, Zucchi já conquistou a vaga de vice.
Ninguém é de ninguém
A próxima campanha eleitoral no Paraná vai ser mesmo como o diabo gosta: Osmar Dias com Jaime Lerner, Requião com meio Beto Richa, Rubens Bueno com Lupion (PT) com Padre Roque Santeiro e por aí vai.
Tipo Baile do Cabide pra pendurar a roupa e a fidelidade partidária.
Bem na foto
Enquanto Osmar Dias procurava localizar, por telefone, Zé Eduardo, big boss desta Folha, para revelar que é candidato ao Governo, o governador Roberto Requião chegava na fazenda de Joaquim Távora, onde mora o empresário. Visita com foto reproduzida na primeira página,ontem.
Dono de jornal em época de campanha vira artigo muito solicitado. É romaria de candidato pra tudo quanto é lado e com direito a todos os paparicos.
DALTÔNICAS
De estações
No inverno, estudantes de medicina e médicos andam pelas ruas de Curitiba com paletós de tweed marron por cima da roupa branca.
Deixa a cidade com ar europeu. Só o ar.
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