A noiva de maio

O PSDB de Álvaro Dias, o PDT de Osmar e o PFL dos pefelistas estão tricotando sem parar em Brasília. Querem utilizar todo o tempo de TV e rádio que dispõem durante o mês de maio para falar a mesma coisa: mal de Requião.
Depois de tal investida, é possível que os três maiores partidos de oposição no Paraná terminem o mês com uma noiva de braço dado. Justamente aquela cujo espírito da Pomba Gira vai baixar no corpo de um deles e aí sai um candidato ao governo prontinho pra luta.
''Caboco tira dúvida?'' ''Caboco' tira dúvida?''


Dívida de campanha

Dívida de campanha eleitoral é como dívida de jogo: tem que ser paga. Este presidente do Instituto de Criminalística do Paraná, Ari Fontana, preso ontem por formação de uma quadrilha que fornecia laudos falsos em todo o Estado, foi nomeado para o cargo pelo governador Roberto Requião por causa de uma dívida de campanha.


Fita ''falsa''

Foi o próprio Ari Fontana que forneceu um laudo atestando a falsidade de uma fita gravada em Cascavel (e divulgada amplamente pela oposição durante horário eleitoral gratuito) onde o então candidato Requião afirmava que, para vencer uma eleição, faria até um pacto com o diabo, isto mesmo, com o Demo, também conhecido como Coisa Ruim, Capiroto, Rincha-Mãe, Azinhavre, Fancho-Bode... e por aí vai.


Amizade colorida

Como o Capeta não dá ibope nenhum entre os católicos e para os evangélicos é a figura maligna sempre atrás do toco, a declaração do candidato admitindo uma proximidade tão grande com o Próprio, quase uma amizade colorida, pegou mal.
O laudo do perito Ari Fontana contestou até mesmo um outro laudo, de um dos maiores peritos brasileiros, aquele barbudo da Unicamp, Dr. Molina. E salvou a pátria da fuga de votos de Requião.


Nomeação criticada

A imagem de Ari Fontana era tão ruim no setor que os funcionários do Instituto de Criminalística do Paraná reagiram com vigor contra a indicação dele para o cargo, até com abaixo-assinados. Foi inútil. Agora, passados dois anos, a investigação, sigilosa, do Ministério Público deu razão aos funcionários da Criminalística.
E mostrou que o pacto de Roberto Requião não era só com o Demo, mas com os bagrinhos do Demo também.


Contatos no governo

Quem quiser marcar audiências com secretários do governo bem rapidinho é só procurar o ex-chefe de gabinete do Palácio Iguaçu, Rodrigo Rocha Loures.
Loures é candidato a deputado federal pelo PMDB e filho do homônimo presidente da Federação das Indústrias.


O jogo de cena

Tinha algum sentido discutir o tal nepostimo com projetos e quetais na Assembléia Legislativa? Só tentativa de enganar o eleitor paranaense. Os deputados querem bater no governo e o governo só quer se defender.
Ambos se comportam como molequinhos espertos que apagam as notas baixas no boletim escolar com cuspe.


Dignidade

É preciso assinalar no meio dessa bobajada toda de nepotismo, a dignidade com que se comportou o deputado Tadeu Veneri (PT). Foi traído por quatro colegas petistas, que votaram contra o projeto dele e chamado de traidor das esquerdas pelo governador Requião.
Manteve-se sereno.


Contaminação

Diante desta desfaçatez toda que ocorre na política paranaense, o presidente da Associação Comercial do Paraná, Cláudio Slaviero, diz que o descaramento de Brasília chegou por estas bandas. E ficou.
Slaviero e Ágide Meneghetti, da Federação da Agricultura, são as únicas lideranças empresariais do Paraná desvinculadas do governo.
O restante é tudo vaquinha de presépio. Com suspeita de aftosa ainda.


Dias de abril

Curitiba pode oferecer mil razões para se morar nela. Mas nada supera o céu azul e a luminosidade dos dias de abril. Tudo cintila.
Pessoas felizes deveriam nascer, sempre, num mês assim.


Daltônicas

De distrações diárias

Na correria da manhã a advogada levou a bolsa, a pasta, a chaves do carro e os dois sacos de lixo até a rua. O caminhão passou na hora, recolheu tudo e foi embora.
Ela só foi perceber que o molho de chaves tinha caído no lixo quando tentou entrar no carro.

[email protected]

mockup