De plantão na crise
Deputados de todos os partidos estão se reunindo, quase todas as noites, e fora da Câmara, para avaliar a sucessão de crises do governo Lula. Conversam, debatem, brigam e conspiram. É de praxe.
Ontem, o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB), depois de um encontro com Miro Texeira (PT) e Fernando Gabeira (PV), que vinha de uma reunião com Luiza Erundina (PSB), abriu os braços em sinal de desânimo e desabafou:
''Nenhum grupo, a começar pelo Governo, tem controle sobre a situação. E os fatos novos, e graves, vão abarcando tudo''.

Cera no assoalho
A conspiração existe, sim, e passa obviamente pelo vice, José Alencar. Ou seja, nenhum senador, nenhum deputado vai admitir, mas o clima na Oposição é de encerar o assoalho e esperar pelo tombo da Presidência. Durante a CPI dos Bingos, por exemplo, o senador Tasso Jereissati (PSDB), recebeu um pacote de documentos de um militar de alta patente.

Mudanças
O vice José Alencar pode trocar o PL pelo PDT de Osmar Dias.
O ex-deputado José Felinto, assume a presidência do Prona, do meu nome é Enéas, a pedido de Álvaro Dias (PSDB).
O que quer dizer tudo isso? Por enquanto, nada.

De volta ao passado
Aqui em Brasília a gente descobre cada coisa do arco da velha. A Proposta de Emenda à Constituição nº 70/1999, PEC para os íntimos, propõe o fim da reeleição para presidente, governador e prefeito. Baseia-se no abuso dos gastos públicos no afã de garantir o segundo mandato.
O autor da proposta é o então senador Roberto Requião, que hoje está mais grudado na idéia da reeleição do que chiclete antigo em sola de borracha. E a PEC está em tramitação, como se diz por aqui e pode chegar ao plenário a qualquer momento.
De repente...

De Brasília
Quem assiste as CPIs pela telinha reprisa a imagem de um robô americano filmando Marte, onde só aparece uma paisagem.Só que a paisagem é de um quadro que dois marcianos seguram.
Por fora daquele quadro das CPIs, onde falam deputados, senadores e depoentes que aparecem na TV, há um emaranhado de fios, câmaras, jornalistas, radialistas, assessores e mortais comuns que, visto de perto, torna um milagre a transmissão ao vivo.

Muita gente
A primeira impressão é de caos, mesmo. E qualquer um pode entrar na sala, observar, fazer comentários com o vizinho, tirar fotografia e chamar os parlamentares para mais uma entrevista ou para entregar um documento. A sala é pequena, quente, sem muita claridade e não dá pra todo mundo ficar sentado. Daí, assessores e repórteres ficam agachados, olhando através das pernas de quem chega primeiro.
E a maratona pode chegar a 14 horas.

Maldição das CPIs
Já é voz corrente em Brasília que existe uma maldição a atingir os deputados e senadores que se destacam e são vitoriosos ao punir colegas em CPIs. O tempo vem mostrando que, da mesma forma dos punidos, as carreiras dos acusadores se esfacelam. Ora por que também tinham lá seus esqueletos no armário, ora porque caíram em arapucas de vinganças.

Trabalho árduo
Além da superstição, há o trabalho de apuração das denúncias, que acaba por consumir praticamente todo o tempo dos parlamentares, durante meses. Na quarta-feira, já passava das 23 horas e o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio, ainda lia documentos, perdido entre pacotes e pacotes de pastas espalhadas pelo chão.
O sub-relator da mesma CPI, Gustavo Fruet, só soube 10 dias depois que a mãe, dona Ivete, estava com pneumonia em Curitiba.

Vaidades
Há que se lidar com vaidades. Serraglio diz que dos 64 parlamentares, entre titulares e suplentes, que compõem uma CPI pode-se contar mesmo com o trabalho de 5 ou 6. O restante só quer falar durante o Jornal Nacional. E há, ainda, que se lidar com a imprensa: Fruet andava pelos corredores da Câmara na frente de um enxame de gravadores, microfones e luzes.
E, num fogo cruzado diário, é preciso estar atento ao fogo amigo que arma camas de gatos a torto e a direito.

O lado bom
É claro que as CPIs jogam os holofotes para seus integrantes.Só nestas duas, dos Correios e Mensalão, os deputados Fruet e Serraglio passam para novo patamar na política do Paraná. O senador Álvaro Dias recuperou um bom espaço. Mas, dado o histórico da maldição, o desgaste pessoal e possíveis retaliações,é bom esperar as eleições do ano que vem para saber no que vai dar tudo isso.

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