RUTH BOLOGNESE
Nitroglicerina
A lista que provoca verdadeiro temor em Brasília não é a do Marcos Valério, o publicitário de Minas, que pode levar à cassação do mandato e dos direitos políticos de deputados e senadores. O pavor mesmo é com a lista de uma senhora morena, magra e que se apresenta como advogada, dona Jeany Mary Corner.
Cafetina famosa, ela é a mais nova celebridade das CPIs e, se decidir falar, acaba não apenas com a carreira política, mas com a vida mansa de muito parlamentar que apregoa fidelidade em casa.
Festinhas
Dona Jeany levou seis moças para duas festas regadas a champagne no Hotel Gran Bittar, em Brasília, onde um grupo de deputados bateu ponto. Festa paga pela lavanderia monetária de Belo Horizonte, óbvio.
Ontem, o sub-relator da CPI dos Correios, deputado Gustavo Fruet, prometia que, se tiver a lista de dona Jeany, vai levar para ler no programa do Jô. Ele é o convidado da próxima terça-feira.
Segunda República
O Paraná já é considerado em Brasília como a Segunda República da Crise, dado o grande número de paranaenses envolvidos, tanto para o bem como para o mal. E continuam aparecendo cada vez mais: depois de Fruet no Jô, a revista ''Isto é'' traz a entrevista principal, as vermelhinhas, com Álvaro Dias (PSDB).
Só informal
E na próxima semana entram em cena Emerson Palmieri (PTB) e o deputado José Borba (PMDB). Palmieri vai ter muito o que explicar já que é apontado como tesoureiro informal do PTB. Em primeiro lugar é preciso saber o que significa ''tesoureiro informal''. No caso, pode ser quem recebe dinheiro de caixa 2.
Ou quem faz uma viagem de dois dias a Lisboa na companhia zen de Marcos Valério para se livrar do estresse.
Por aqui mesmo
Se estivesse realmente estressado, na condição de alto funcionário da Embratur, Palmieri poderia descansar numa das nossas estâncias, como a Dorizon, aqui de Curitiba, ou a Termas de Jurema, de Campo Mourão. Por conta da casa e sem Marcos Valério.
Ia comer porco no rolete, tomar banho com calção largo e chinelo de dedo e ver show havaiano de noite.
Vá lá, Lisboa é melhor do que isso pra descansar?
Manobras & Manobras
As referências de ontem de Marcos Valério na CPI dos Correios a Emerson Palmieri e ao finado José Carlos Martinez tem cheiro de manobra divercionista: Roberto Jefferson começa a dividir responsabilidades.
Beto em 2010
Se Beto Richa pretende mesmo se candidatar a governador em 2010, conforme anunciam seus aúlicos, precisa antes combinar com Roberto Requião (PMDB) e com seu próprio Partido, o PSDB.
Apoio ao Inimigo
Com EL Supremo para apoiá-lo na reeleição no ano que vem, condição para deixar a vaga de governador aberta em 2010.
E com seu partido, o PSDB, que deve ser convencido a liberar o prefeito de Curitiba para trabalhar para o adversário. Ou, no caso do PSDB eleger o Governador, ele deve desistir, ou perder de propósito a reeleição em 2010.
Nem com Alberto Roberto pintado de ouro.
Novo elemento em Londrina
Breve, muito breve, a crise do Caixa 2 de Nedson Micheleti vai se aproximar da Igreja. Não exatamente para buscar apoio político nesta hora difícil, mas para obter o alívio da confissão.
Pura expiação de culpa, elemento fortíssimo nas denúncias recentes na cidade.
Parentesco forte
Pouca gente sabe, até porque o Jornal do Brasil não circula no Paraná, mas este jornal carioca foi o primeiro a divulgar a existência do Caixa 2 em Londrina. Motivo: o promotor público Sérgio Silvestre Correia, primeiro a ouvir as denúncias da assessora Soraya Garcia, é sobrinho do jornalista Villas Boas Correia, um dos mais antigos colunistas políticos do JB.
Informação privilegiada é isso aí!
Voto do passado
Em Brasília a gente fica sabendo das coisas: o presidente do TSE, Carlos Velloso, que agora chama de ''caras de pau'' os deputados que pretendem renunciar para não perder os direitos políticos, foi voto favorável à candidatura de Antônio Belinati em setembro de 2004, quando era ministro do Tribunal.
Belinati estava cassado na época.
Com Vossas Excelências
Bem chinfrins os gabinetes dos deputados na Câmara. Duas salinhas sem graça, com pastas, papéis e assessores se espremendo num calor de rachar.
(Ruth Bolognese escreve a coluna de Brasília)





