RUTH BOLOGNESE
Ninguém está a salvo
Diante das evidências do Caixa 2 nas contas da campanha da reeleição, a situação do prefeito Nedson Micheleti, PT, fica pior ou melhor na exata proporção em que outras assessoras e secretárias pelo Brasil afora decidirem levar, ou não, suas desconfianças para o Ministério Público.
Porque não existe uma, vejam só, uma só prestação de contas de campanha no Brasil hoje, de vereador a presidente da República, que resista a uma investigação da Polícia Federal.
Diferenças
Então por que as calças curtas de Nedson chamam tanta atenção? Porque:
1) O PT está na mira no momento;
2) Tem prefeito, ministro, secretário de Lula e deputados importantes no PT;
3) Tem histórico de moralidade com o movimento Pés Vermelhos Mãos Limpas;
4) Tem o deputado Luiz Carlos Hauly e
5) Lógico, Londrina tem Caixa 2 denunciado e comprovado.
Pode complicar
Pelas atuais circunstâncias, o que pode complicar a vida de Nedson não é tanto o Caixa 2 mas a origem do dinheiro. Se foi embarcado em Brasília, sai de baixo.
Reprise de Collor
Na condição de irmão que acompanhou a assessora Soraia Garcia no depoimento ao Ministério Público, Nilton Micheleti tem dito em Londrina que se sente o próprio Pedro Collor. Como se sabe, o irmão de Collor foi quem deu o pontapé inicial que detonou aquilo tudo.
Pedro tinha pendências financeiras e pessoais com o irmão-presidente.
Estratégia petista
Pelo menos a crise do Caixa 2 fez o prefeito tirar o traseiro da cadeira. Para estancá-la quer garantir maioria e mais um pouco na Câmara e dar uma resposta imediata ao povão. Mesmo com 16 vereadores dos 18 na Câmara na base de apoio, Nedson não vai brincar em serviço. Nomeou para a diretoria administrativo-financeira da Cohab Marcos Defreitas, que é do PSDB, mas ligado a Tercílio Turini, PPS, voz ouvida e respeitada entre os colegas vereadores.
Quem está sentindo cheiro de aço queimado, acertou. É o começo da blindagem do prefeito na Câmara.
Pela Saúde
A outra ação é começar a mudar a situação da saúde, um setor tão devastado que recentemente dois médicos foram mordidos por ratos num plantão noturno num posto público. Para marcar uma consulta com um especialista pode-se levar até um ano.
Quem está sentindo cheiro da reação petista, acertou. É o começo da administração Nedson na prefeitura.
E os Pés Vermelhos?
Sem muito assunto, os velhos e bons Pés Vermelhos Mãos Limpas desapareceram das ruas da cidade desde que estourou o Caixa 2 do PT. Pelo contrário, se encontram algum conhecido, olham pra cima, assobiam e saem de fininho...
O outro lado
Como sempre, o Paraná está bem representado nas CPIs de Brasília. Para o bem e para o mal. Ontem, o nome mais citado foi o do tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri. Ele é de Abatia (com acento no segundo ''a''), e era fiel escudeiro do falecido Martinez no PTB.
Às pressas
E foi por causa de Palmieri (envolvido no Caixa 2 de Cássio Taniguchi) que José Carlos Martinez teve que sair correndinho da coordenação da campanha de Ciro Gomes à presidência.
Taniguchi foi absolvido do processo do Caixa 2. Emerson foi para Brasília e continuou no PTB, onde passou a receber milhões de Marcos Valério e a viajar com ele para Portugal.
Desaparecido
Apesar de citado por meio mundo na crise, Palmieri continua envolto em mistério. Não deu uma declaração, não distribuiu uma mísera nota, não falou com nenhum jornalista.
Vai falar, com certeza, nas CPIs.
Camisetas de fora
Numa hora delicada como a que enfrenta o PT de Londrina, começam a surgir os memorialistas. Tem gente do PMDB querendo saber por que uma doação para o PT de 2 mil camisetas na campanha de 2000 não foi contabilizada junto ao Tribunal Regional Eleitoral.
Mais do que Mil Palavras
A foto de Eduardo Anizelli na primeira página desta ''Folha'' ontem não precisava nem de legenda. A crise está na cara.
Daltônicas
De por enquanto
Diante das quebras de sigilo bancário de publicitários e afins, o colega local concluiu que, enquanto as investigações ficassem no entorno do Banco Rural, estava a salvo.





