RUTH BOLOGNESE
Os Homens e os Nervos
O ''seu'' Zé Eduardo, mesmo quando acumulava a presidência do Bamerindus com a função de Senador da República, nunca procurou terapia ou tomou calmante. ''Não sofro dos nerrrvo'', dizia, assim mesmo, puxando no erre e esquecendo o esse, no velho sotaque familiar de Tomazina, Arapoti, Joaquim Távora e adjacências.
Ataques
Lá em casa também não era diferente. Quando alguém tinha um ataque histérico, soltava os cachorros ou saía fungando pela porta, o comentário da vó Maria vinha definitivo: ''Deixa o coitado em paz. Ele é atacado dos nerrrvo''. Do mesmo jeito do ''seu'' Zé Eduardo e com o mesmo sotaque do Norte do Paraná.
Distúrbios
Hoje, os ataques e irritações, gritarias, dedos em riste e rostos inflamados adquiriram status. Tanto podem servir como subterfúgios de políticos enrolados em CPIs como tangentes para aqueles que se pautam pelo absolutismo como forma de governar. Para a medicina, sofrer dos nervos já é um dos males do século e ficou chic. Se o sujeito for muito descontrolado, pode apelar: ''Sofro de distúrbio bipolar agudo''.
Maracujinas
Assim como o diagnóstico preciso, a medicina moderna também conta com medicamentos de última geração, de eficácia garantida e praticamente sem efeitos colaterais. Não é remédio pra louco não. É a serenidade vendida em pílulas.
Profilaxia que faria um bem danado para esta República altaneira, de mensalões em Brasília e greve nas universidades estaduais do Paraná.
Uma carta misteriosa
Chegou ontem, por e-mail, uma carta assinada pelo estudante de Direito da UEL, de nome Marcelo Martins, que se dispôs a fazer uma crítica construtiva sobre esta coluna. Chama a atenção para o fato de que o ex-prefeito Antônio Belinati não pode ser julgado culpado, como se afirmou aqui, porque ainda não ocorreu o ''trânsito em julgado''.
Paralelo
E diz que o Belinati está sendo processado por problemas que ocorreram em uma autarquia (AMA/Comurb), com autonomia de gestão, tanto administrativa quanto financeira. Muito bem. Em seguida, o estudante Marcelo Martins, sabido como ele só, faz as seguintes perguntas:
1) Por que o Lula não está sendo processado?
2) Por que o Nedson está sendo poupado pelo MP nos processos contra sua administração da CMTU e Sercomtel (processos que envolvem milhões)?
3) O que o avião da presidência da República estava fazendo em Londrina na véspera do 2º turno da última eleição?
4) Por que ninguém fala das relações da administração petista de Londrina com todo o problema de Brasília?
Campanha milionária
A carta do estudante diz ainda que a campanha de Nedson foi a mais milionária da história. E termina assim: ''Só lembrando, o Belinati quase ganhou do Nedson sozinho, contra tudo e contra todos. E apesar de toda a campanha difamatória da imprensa, o povo de Londrina tem muito respeito e carinho pelo Belinati''.
O autor
Pelo conteúdo, e pela esperteza histórica do ex-prefeito Antônio Belinati, o teste de hoje, lançado por esta coluna para todos os londrinenses é: assinale abaixo quem é o verdadeiro autor da carta do ''estudante Marcelo Martins''?
( ) Prefeito de Londrina cassado no terceiro mandato
( ) Político de Londrina que se auto intitula ''Tonico do Povo''
( ) Adversário de Nedson Micheleti na última eleição
( ) Ex-prefeito ainda sem o ''trânsito em julgado''
( ) Ex-prefeito filiado ao PP de José Janene
( ) Antônio Belinati
Quem acertar o nome do verdadeiro autor da carta ganha aqueles abraços de tamanduá que Belinati costuma dar em eleitores por Londrina afora.
Hospital nega
O Hospital Nossa Senhora das Graças, de Curitiba, nega estar na mira da Amil, para ser comprado e garante que mantém o controle acionário do ''Nossa Saúde'', plano próprio de saúde privada.
Com histórico de excelentes serviços na área (foi referência na Capital), o Nossa Senhora das Graças não está só na mira da Amil. Todo mundo do setor gostaria de comprar. O único problema são os R$ 30 milhões de déficit nas contas que o Nossa Senhora das Graças tenta, desesperadamente, solucionar.
Daltônicas
De abraços
Só foi descobrir como os amigos eram calorosos depois da cirurgia no ombro. Para cada abraço, um aiii. Por uns dois meses, a vida virou uma gritaria só.





