RUTH BOLOGNESE
Terceira divergência
Só pra registrar: pela segunda vez em duas semanas e pela terceira desde o início do Governo, o vice-governador Orlando Pessuti, diverge em público do governador. Primeiro foi na guerra contra os transgênicos, depois sobre o meio ambiente e, ontem, sobre os prejuízos causados pela seca no Paraná.
Rasgando dinheiro
Pelo jeito, muitos foram os deputados do PTB ''cantados'' para receber os 30 mil dinheiros do PT e nenhum aceitou, conforme revelou o presidente do Partido, Roberto Jefferson. Eis os diálogos e as negativas:
Para crescer a barba - In Memorian
Proposta - Deputado José Carlos Martinez, o Sr. quer receber R$ 30 mil por mês para deixar crescer a barba, colocar a estrela vermelha na lapela e dar rolex falsos de presente ao Zé Dirceu?
Resposta - Nãaaaooo. Deus pode me castigar.
Para gostar
Proposta- Deputado Roberto Jefferson, o Sr. aceita tirar da mesada de R$ 400 mi/mês que o IRB manda para o PTB, os R$ 30 mil em proveito próprio só para gostar tanto do presidente Lula quanto gostava do Collor?
Resposta- Nãnãninãnã. Já tenho o cheque em branco do Lula.
Para abanar
Proposta- Deputado Íris Simões, o Sr. aceita receber R$ 30 mil em dinheiro só para abanar a mão a favor, mesmo quando o presidente Lula falar ''menas''?
Resposta- Never, never. Sou moço de família.
A nova corrupção
A mais nova modalidade de corrupção no País isenta o presidente da República, e o Governo, de qualquer envolvimento e aponta um Partido, o PT ( com déficit nas contas), repassando o Mensalão para outros Partidos, o PP e o PL.
O Governo já age como o ladrão que, flagrado com o porco nas costas, começa a gritar: ''Tira este bicho daí! Tira este bicho daí! Que coisa, ô meu, nem tinha visto...''
A dúvida
Onde estará, meu Deus do Céu, a estas alturas do campeonato, o cheque em branco que o presidente Lula dizia confiar a Roberto Jefferson?
Mensalinho e Limpinho
E a Assembléia Legislativa do Paraná descobriu agora uma, vejam bem, uma funcionária fantasma, Elizângela Pechinsky, que ganhava R$ 4 mil mensais e que se diz ''laranja'' do cunhado, de nome Metódio Storsky, todos eles ligados ao partido do ''Voto Limpo'', o PPS.
Uma Pechinsky, laranja de um Storsky, que recebia R$ 4 mil por mês e não sabia de nada?
Teria sido?
Vamos entrar para o jornalismo em pretérito composto, característica mais visível do trabalho da imprensa nos dias de hoje: ''este episódio de fantasma na Assembléia não teria sido mais um caso de Mensalão explicíto? E o PPS, partido do Voto Limpo, teria tomado conhecimento do assunto ou teria sido laranja também? E a fantasma teria sido da Ópera ?''
Sem saída
Do ponto de vista da elegância do texto e da qualidade da informação, este subterfúgio de ''teria sido'', ''teria dito'', ''teria acontecido'' é nojento. Mas, às vezes, não resta outra alternativa senão o chamado elemento condicional, que possibilita a divulgação da informação sem o perigo do contumaz processo na Justiça.
O leitor sofre mas... tem prazer.
Indenizações a rodo
A pequena Guaraqueçaba, encravada no litoral do Paraná, vive um surto de grande alegria. Quase todo mundo recebeu indenização depois do acidente do navio chileno ''Vicunha'', que se partiu ao meio no Porto e poluiu toda a baía. De funcionários da prefeitura até o aposentados, todo o pessoal virou pescador de um dia para o outro e se apresentou na fila para garantir um dinheirinho.
Secretária do Ney
Na lista de pagamentos das indenizações pode-se encontrar o ''Zé das Medalhas'', o ''Véio do Rio'' e até uma senhora que se identificou como ''secretária do Ney Braga''.
Mas o povão está tão feliz que parece até deputado embolsando os R$ 30 mil por mês do PT.





