RUTH BOLOGNESE
A riqueza se esvai
Uma fila de 40 quilômetros está formada entre a BR-101 e o Porto de São Francisco, o segundo maior de Santa Catarina. São caminhões de todo o Paraná e de Mato Grosso, carregados de soja ou de farelo, que abandonaram Paranaguá diante dos problemas criados pela proibição de embarque de transgênicos e de infra-estrutura portuária.
Os pátios de Paranaguá estão às moscas. É o preço que o Paraná inteiro começa a pagar por erros na administração do maior porto exportador de grãos do País.
Traição anunciada
Numa roda de amigos, bebericando a derrota, o senador Alvaro Dias (PSDB) confessou: tinha certeza que seria traído pelo prefeito Beto Richa na disputa pelo diretório estadual do PSDB.
Não deu outra. Os 10 votos sob controle do ''Alberto Roberto'' foram para o deputado Valdir Rossoni, mesmo contra a orientação nacional do partido.
Segunda vez
Beto Richa está se especializando em traições. Como vice-prefeito de Cássio Taniguchi saltou de banda, criticou a tarifa do ônibus e elegeu-se prefeito.
Cadê o Eixo?
Por falar em prefeitura de Curitiba: como anda o Eixo Metropolitano, que já tinha dinheiro do Banco Mundial aprovado e que Beto Richa iria dar início logo de cara? É bom lembrar que o município paga juros pelo dinheiro parado do Banco Mundial. E em dólar.
Popularidade
Quem viu foi o ex-ministro Euclides Scalco. Num passeio de ônibus às 3 horas da tarde, no Centro de Curitiba, na última sexta-feira, o prefeito de São Paulo, José Serra, foi abraçado e saudado por curitibanos de todas as idades.
Serra (PSDB), que perdeu para Lula, estava acompanhado do ex-governador Jaime Lerner, agora consultor dele na capital paulista.
Um ministro do Paraná
Depois da desastrosa passagem do deputado Rafael Greca pelo ministério do Esporte na era FHC, finalmente o Paraná tem um ministro em Brasília, o Paulo Bernardo (PT). Foi por mérito próprio porque as lideranças estaduais não deram um pio sobre a reforma ministerial. E nem o presidente Lula pediu.
Quem ganha
Ganha o PT, que agora já tem candidato ao governo em 2006.
Ganha o PT do Norte, com Nedson e André Vargas, que se fortalecem no partido.
Ganha o casal Paulo Bernardo & Gleisi Hoffman, ela responsável por um orçamento de R$ 2 bilhões na Itaipu. É o casal mais poderoso do Paraná.
Tirar proveito
E, de uma vez por todas: o Nedson Micheleti que trate de arrumar recursos para Londrina. Com um ministro importante em Brasília, e tão próximo, só um bocó não tiraria proveito.
A propaganda das estradas
O programa do governo do Estado sobre a recuperação de estradas em todo o Paraná, lançado com estardalhaço na mídia, está em grande parte lastreado nas licitações de nº 25, 26 e 27/2004 feita pelo DER, com investimentos previstos de R$ 153 milhões. Por causas das exigências absurdas, apenas três concorrentes participaram e, por coincidência, cada uma ganhou um lote.
Ação Popular
Foi exigido, por exemplo, que as empreiteiras tivessem em seus quadros, um engenheiro químico. Comparando, é o mesmo que exigir que uma empresa, para entrar numa licitação para construir uma escola, tenha experiência técnica em fabricação de cimento. Por tudo isso, existe uma Ação Popular questionando o diretor geral do DER, Rogério Tizzot, sobre a legalidade das mesmas.
Empreiteiro zangado
Por tudo isso, a maioria dos empreiteiros, quase a míngua por falta de serviço, reage contra a propaganda das obras nas estradas. Nenhum deles viu os editais para tais obras e, assim que o governo anuncia um trecho a ser recuperado, eles enviam técnicos para verificar a veracidade do anúncio.
Até agora, só encontraram os mesmos buracos de sempre regidos pelo DER.
Os vencedores
Os consórcios que participaram e venceram a mãe de todas as licitações do DER são: Petrobras/Construtora Triunfo; Compasa/Tibagi e Asfaltos Grecca/Construtora CBMI.
Daltônicas
De cima do muro
Ao recusar a reportagem sobre uma área problemática do governo, o dono do jornal chapa branca foi sucinto: ''Se falarmos bem é mentira. Se falarmos mal, é provocação''.





