RUTH BOLOGNESE
Meu querido adversário
O Palácio Iguaçu espalha resultados de uma pesquisa feita em todo o Estado colocando o senador Álvaro Dias (PSDB) nas cabeças na preferência do eleitorado para o governo do Paraná. Enche a bola de Álvaro Dias porque é tudo o que Roberto Requião (PMDB) quer como adversário na reeleição.
Esmola quando é demais, até santo desconfia.
O nosso Severino
Que Severino Cavalcanti, que nada! O presidente da Câmara de Londrina, o ex-açougueiro Orlando Bonilha (PL) chegou primeiro: garantiu uma senhora verba de gabinete, R$ 6.8 mil, para os colegas.
Quem bom, hein Bonilha? E o povo? Ora, direis, ouvir o povo...
Problemas à vista
As reservas ambientais que o governo federal está fazendo na Amazônia vão atingir em cheio os milhares de hectares do empreiteiro Ceccílio do Rego Almeida, paraense radicado aqui no Paraná, e uma das maiores fortunas nos dois Estados. Aqui é dono, por exemplo, da Ecovia, a rodovia pedagiada entre Curitiba e Paranaguá.
O preço do ar
Ceccílio investiu no Pará justamente de olho num investimento que, para nós, pobres mortais, ainda é meio incompreensível: ele acumula ar puro da atmosfera e o preço disso, num planeta poluído, pode ir para a estratosfera, só para manter o trocadilho. Como Ceccílio acumula o ar? Ora com área de floresta equivalente a um palmo de terra. Um palmo no mapa, bem entendido.
Grande lutador
Ceccílio é daqueles inimigos que requer astúcia e muito poder de fogo do outro lado. Já derrubou um governador, Haroldo Leon Peres, nomeado pela ditadura na década de 70 e deixou outro, Álvaro Dias, careca.
Além do investimento em carbono na Amazônia, o empreiteiro toca um grande projeto de pesquisas de aproveitamento das ervas e plantas para a produção de medicamento a baixo custo. Mas dona Marina Silva, a ministra do Meio Ambiente, já declarou que reserva de área ambiental é apenas isso, reserva. A ver.
Entidades na berlinda
A prisão do advogado Michel Saliba, presidente da sub-seção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Curitiba por envolvimento em tentativas de falcatruas junto à empresas estatais vem acrescentar mais um dado negativo sobre nossas entidades de classe. Começou com as denúncias contra José Carlos Gomes Carvalho, ex-presidente da Federação das Industrias, morto há dois anos. Pelos dados do Ministério Público, Carvalhinho se vivo fosse, teria que explicar um rombo de R$37 milhões. Pode chegar ao dobro disso.
Líderes inquietos
Nesta segunda-feira toma posse no Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), o empresário Henrique Mehl, sócio-proprietário de duas empreiteiras que reúnem 233 processos na Justiça, em todas as áreas, de trabalhistas a cíveis.
A pergunta que salta aos olhos: como é que advogados ou empresários com tantas questões em aberto em seus próprios negócios podem defender interesses de entidades junto a qualquer esfera de governo?
Longe de mim
EL Supremo não aceitou testemunhar na Justiça numa das ações que correm contra esta brava colunista, como testemunha de defesa. O convite foi feito em nome de nosso advogado comum, professor René Dotti, e era só pra defender a ética e a liberdade de imprensa. Alegou que uma declaração destas poderia prejudicá-lo em seus próprios processos.
Tem razão
O pedido foi baseado no fato de que, além de governador, Requião é jornalista e poderia rolar, assim, um sentimento de solidariedade profissional. Mas, além de jornalista, ele é advogado e nestas horas é cada um com seus ''pobremas'' mesmo. E quer saber? Requião tem razão: pra que cargas d'água um governante precisa de jornalismo ético e independente? Só serve pra atrapalhar!
Mas estou bem sentida com a recusa...
Outros toparam
Agora, também não fiquei no mato sem cachorro, não: o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, o deputado federal Gustavo Fruet e os ex-ministros Euclydes Scalco e Reinhold Stephanes, vão testemunhar.





