Sem erva


Está faltando maconha em Curitiba. A polícia estourou quase todos os mocós da Capital e a gurizada não consegue chegar nem perto de um baseado.
O uso da maconha, hoje, entre adolescentes e não tão adolescentes, de classe média, tornou-se tão comum que beira a banalidade. Já vem até sem o cheiro característico. E tem pai que continua cego.

O que será?
A dúvida que ronda o Palácio Iguaçu é como Paulo Pimentel vai agir, a partir de agora, na condição de segundo maior empresário de comunicação do Paraná: apontará, ou não, os canhões da TV Iguaçu, retransmissora do SBT, e dos seus jornais, contra o Governo?

Na telinha
Depois do irmão, Osmar, ter feito sucesso na TV, nos filmes do PDT, a partir de sexta-feira entra Álvaro Dias no ar, pelo PSDB, sob a regência do jornalista e amigo Carlos Nasser. Aparecerá El Senador tão bonito quanto o irmão mais novo? Falará com tanta firmeza? Será tirado do Ar pelo PMDB com a mesma rapidez?

Fat Man
Quem encontrou o ex-governador Jaime Lerner recentemente ficou assustado. Ele anda mais gordo do que antes, quando estava no Governo.
Também, só viaja, come e dorme...

Sem proteção
O pessoal de Apucarana, em férias no Litoral, procurou o deputado Zé Domingos Scarpelini para contar que, entre Matinhos e Caiobá, próximo à Associação dos Professores, um bando de guri está promovendo arrastões diários na praia.
O Zé quer saber onde está a PM, que não vê isso.

Sem cuidado
E o pessoal de Londrina, também de férias, reclama da interdição das estradas e da confusão causada por um dos helicópteros do Governo que desce, ora numa rodovia do Litoral, ora numa praia qualquer, em horas incertas.
E tem gente jurando que todas as vezes viu o Governador Requião saindo do helicóptero.
Pronto, a coluna virou filial do Procon!


Diário da Justiça
Ontem de manhã chovia muito em Curitiba. Saí cedo de casa para tentar resolver um problema judicial.Só tenho cinco dias para responder a um Mandado Judicial por conta de ação movida pela marketóloga Cila Schulman. Apontei-a, há dois anos, como co-participante de uma agência de publicidade que ganhou concorrência no atual Governo e ela se sentiu ofendida. Cila comandou a campanha de Beto Richa no segundo turno.

Sem condição
Depois do Ratinho, do governador Requião, de um publicitário, um advogado e um secretário de Estado, este é o décimo processo que corre na Justiça contra mim em razão de informações divulgadas nesta coluna. Um dos maiores advogados de Curitiba, René Dotti, colocou-se à disposição para me defender. Gratuitamente.

Sem coragem
Por conta da mamãe, que a vida inteira teve pavor de depender dos outros, perdi a coragem de apelar novamente para René Dotti, a quem já dei trabalho demais. Procurei outro advogado. Só para dar uma olhada no processo ele pediu uma quantia que ultrapassa em muito o limite do cheque especial, que está no vermelho. Fui ao Sindicato dos Jornalistas e o convênio com um escritório de advocacia dá desconto de 20% nas ações da categoria, mas apenas nas trabalhistas. Nas demais, apresenta antes o orçamento.

Com senha
Procurei a OAB - Ordem dos Advogados do Brasil/Ctba e a recepcionista me mandou para a Defensoria Pública, que fica bem no Centro da cidade. Lá, peguei a senha 41, esperei 20 minutos até um moço moreno, sacudido, chamar. Ele olhou o Mandado de Citação e perguntou se eu não fazia trabalhos avulsos, além de escrever para jornal. Eu disse que sim. ''Então a Senhora faça uns trabalhos e pague um advogado porque aqui só atendemos gente que ganha até três salários mínimos. É a lei''. O piso de jornalista é de R$ 1 mil e poucos reais.

Sem saída
Saí andando pelas ruas movimentadas do Centro de Curitiba. Continuava chovendo muito. A sombrinha enguiçou, não abriu. Corri na chuva até o carro emprestado da filha, e a chave não entrou na fechadura. O dono veio correndo e gritando que aquele era dele. O meu estava mais à frente. Ao parar no primeiro sinaleiro olhei o Mandado de Citação do Poder Judiciário com as folhas molhadas, já meio amassadas e sem solução alguma.
Como é solitário, meu Deus do Céu, tentar fazer um jornalismo com um mínimo, um tico só, de independência neste País!
E, confesso, de coração aberto, a fragilidade: chorei.

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