The book...
Foz do Iguaçu irá ter uma Secretaria de Relações Internacionais de Agricultura, idéia do prefeito eleito, Paulo Mac Donald (PDT). Coisa de primeiro mundo mesmo e muito útil, a não ser pelo fato de que a produção agrícola do município, um dos menores do Paraná, deve ser menor do que a do balneário de Guaratuba.

On the table!
Mas vamos imaginar que o pessoal de Cascavel e adjacências venha a utilizar as relações internacionais da agricultura de Foz para fazer negócios. E em qual idioma? Sabemos que na fronteira todo mundo fala uma mistura de portunhol e dobrandinês, com rugidos das Cataratas, o barulho das turbinas da Itaipu e ecos do idioma guarani, soletrado por Jorge Samek.
Idioma exótico, sem dúvida, e só praticado ali, nas proximidades da Garganta do Diabo.

Linguagem universal
Mas no mundo dos negócios, porém, ninguém precisa ser fluente em língua nenhuma. O ex-governador Jaime Canet, por exemplo, ficou riquíssimo com apenas uma expressão internacional: ''One million dólar''. Era o suficiente.

Álvaro 60 anos
Devemos um pedido formal de desculpas ao senador Álvaro Dias (PSDB), que sempre foi um verdadeiro gentleman diante das críticas, mesmo as mais cáusticas, feitas neste espaço. Só nunca perdoou o fato de termos antecipado em seis meses a entrada dele na Terceira Idade.
Então, vamos fazer justiça: o senador Álvaro Dias, com corpinho (totalmente malhado) de 30, rosto de (totalmente paralisado) 40 e cabelos (totalmente remodelados) de 50 anos, entrou para o grupo de sessentões no último dia 7.

Com tudo isso, Álvaro Dias está ''Si-si. Si sentindo''!

LONDRINA É PARA SEMPRE
A primeira vez que vi Londrina foi de noite, através de uma janelinha de plástico do Jeep ''Willis'' que meu pai fazia correr a 90 por hora quando pegava uma descida no asfalto. Era tempo de Natal e a família tinha ido visitar os parentes de Cambé. Pra quem vinha de Terra Boa, 82 km a sudoeste de Maringá, que de noite era um breu só, a visão dos prédios iluminados e da decoração das Casas Fuganti foi um verdadeiro impacto. Nem Nova York, com sua árvore natalina do tamanho de uma montanha superou, aos olhos da mulher, a surpresa da menina.
Naquela viagem, a primeira que me lembro, comi pêra comprada na estrada e como era tudo novo, o comentário de que a fruta parecia batata, feito por minha mãe, até hoje continua valendo. Nunca encontrei uma pêra com gosto de batata pela vida, mas deve existir aí, em algum lugar do Norte do Paraná.
Quatro crianças, uma de colo, o pai, a mãe e a vó Maria passeando pelas ruas de Londrina, dentro de um Jeep, não era nada fácil. A mãe de mau humor porque a Mariquinha do salão, lá de Terra Boa, tinha feito uma permanente de rolinhos tão finos que a deixara com feição de monstro: cabelo pixaim, bochechas de italiana e as pontas das orelhas vermelhas, meio queimadas, por causa do líquido forte e mal-cheiroso.
A vó resmungava porque o neto caçula, de 9 meses, só queria ficar no colo dela, pulando e gritando para as luzes da avenida. E o pai, habituado a dirigir entre os barrancos da estrada do sítio, grudava no volante do Jeep, nervoso com o trânsito e gritava pra a criançada ficar calada, senão ele perdia a concentração.

Imagem da beleza
Para a menina que eu era, nem o desconforto, nem os gritos do pai, tinham a menor importância. O fascínio estava na cidade, deslumbrante, iluminada como nunca, misteriosa. A casa dos Garcia nome que a gente conhecia por causa dos ônibus era um castelo, o primeiro que vi ao vivo. Outra visão que se manteve intacta na memória, mesmo depois dos castelos europeus, cobertos de neve.
Porque a infância é tão presente, Londrina foi a primeira grande viagem da minha vida. Centenas de outras vezes voltei e andei pelas ruas e praças da cidade. Morei por um ano no Colégio Mãe de Deus, estudei no Vicente Rijo e continuei voltando, a trabalho, sempre.
Ao escrever agora, a coluna diária para a Folha, todos os dias penso em Londrina. Tento uma aproximação a cada nota escrita, jogo charme, instigo, provoco a cidade. Falo bem e falo mal. E, só para chamar a atenção, desdenho Curitiba, que me recebeu tão bem e onde crio filhas e neto.
Mas, de verdade, bem no fundo, ainda sou a menina olhando esta senhora, que hoje faz 70 anos, da janelinha de plástico do Jeep ''Willis'': fascinada pelas luzes, morrendo de vontade de sair andando pelas ruas, tomar sorvete, entrar no castelo dos Garcia. E bela senhora continua misteriosa, inalcançável, como antes...

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