RUTH BOLOGNESE
Nedson em Curitiba
Em fotografia colorida, com expressão zangada, o prefeito Nedson Micheleti (PT) surgiu ontem na página política de um jornal de Curitiba. Parecia um russo. Não pelas idéias, mas pela barba cerrada e cabelo aparado à lá Cossaco das Estepes Geladas.
Olha lá, hein, não estou criticando, só registrando.
Presença de Londrina
Parecido ou não com um russo, na condição de prefeito da segunda maior cidade do Estado e de aliado dos Governos Estadual e Federal, Nedson tem toda razão quando diz que Londrina cresce em poder político no Paraná. Mas, na prática, para que isso aconteça a partir de agora, quem vai ter que mostrar serviço é ele próprio.
Distantes da Capital
Desde sempre, o prefeito de Londrina deveria ter mais voz no contexto político e econômico do Estado. Mas não é assim que acontece. Quando queria chamar a atenção do governo estadual, Belinati inventava uma peraltice qualquer, como a de fechar o aeroporto ou romper com o governante de plantão. E mesmo tendo dona Emília como vice-governadora.
Os demais prefeitos, Nedson inclusive, foram políticos pouco conhecidos na Capital. Ou, lembrados apenas quando parte de uma coligação política visando os votos do Interior.
Inserido no debate
Sem querer oferecer assessoria de imprensa de graça, mas o prefeito Nedson só vai aumentar o peso político de Londrina por aqui, se passar frio. Ou seja, terá que estar presente em Curitiba, ora no contato com lideranças, jornalistas e políticos, ora inserido nos debates que dizem respeito ao futuro do Paraná e não apenas de Londrina ou do Norte do Estado.
E, nem precisa passar frio, não. Basta usar aqueles chapéus redondos de pele que, aí sim, vira russo de vez.
Assessor, assessor meu!
Se El Supremo depende apenas do seu assessor muito, muito nervoso, Benedito Pires, para defende-lo nos jornais dos arranca-rabos com o PT, então ''tamo tudo perdido''. Ontem, em espaço assinado, Benedito defendeu o chefe com ardor de subordinado.
Ou alguém, em sã consciência, iria criticar quem lhe garante o pão?
Sem credibilidade
Pois é justamente por isso que, na escrita de Benedito Pires, as denúncias contra os deputados do PT e a defesa de Roberto Requião não têm valor político.
Tudo ruim
A publicação do artigo é ruim para o Governador, ao colocá-lo na condição de mandante que, por óbvias razões, não pode ser desobedecido. É ruim para Benedito Pires, com histórico de jornalista competente e esquerdista estudioso.
Linguiças roubadas
Além da falta de uma idéia sequer digna desse nome, a campanha eleitoral em Curitiba registrou uma presença constante e incomum: linguiças. Na primeira reunião entre o PT e o PMDB, ocorreu a célebre Guerra das Linguiças, onde os ilustres participantes brigaram e usaram o comestível gorduroso como arma.
Na festa da vitória
Agora, na festa da vitória de Alberto Roberto Richa, PSDB, alguns seguranças ''voluntários'' do candidato que esperavam uns trocados e se frustraram, roubaram 20 quilos de linguiça de um freezer preparado para a comemoração.
Estão fazendo churrasco até agora.
Tony é um gato
Nossa opinião sobre o ex-deputado Tony Garcia, ainda preso na Polícia Federal, continua a mesma: Tony é um gato, um gato, um gato...
O Paraná sem a Voz
Deixa de circular um dos mais antigos semanários do Paraná, a ''Voz do Paraná'', jornal católico que teve papel importante na resistência à censura durante a ditadura e na formação de jornalistas conhecidos,como Tereza Urban, ex-editora aqui da ''Folha'', e esta que vos escreve.
A decisão da PUC/PR, que vinha mantendo o jornal, foi administrativa.
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Arquivo/10-12-2001
Jobim em Itaipu
Ao visitar a Itaipu, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, acompanhado da mulher, Adrienne e do diretor jurídico da Binacional, João Bonifácio Cabral, fez questão de plantar uma árvores no chamado Bosque dos Visitantes da Usina.
Além de Jobim, Cabral levou a Foz do Iguaçu, outro ministro do STF, Roberto Grau.
Correção
Deve ter sido por causa da ameaça de bomba: esta coluna trocou tudo ontem sobre a cassação no governo de Roraima. O cassado por abuso de poder econômico foi Flamarion Portela e quem assumiu foi Otomar Pinto. Um sorvetaço na testa merecido.





