RUTH BOLOGNESE
Dívida antiga
Antes de se debruçarem sobre o Orçamento de 2005, que o Governo enviou para a Assembléia, os deputados querem saber porque nenhuma das 1,2 mil emendas que fizeram para o orçamento de 2004 foi executada.
As emendas ao Orçamento sempre representam o interesse de cada deputado em sua região. São legítimas.Se o Governo não dá a menor bola,das duas,uma: ou não quer nada com a Assembléia ou o Estado está completamente paralisado. Ou as duas coisas.
Hermas fica
A eleição em 15 de dezembro para a mesa da Assembléia não deverá trazer surpresa nenhuma. O atual presidente, Hermas Brandão, permanece por mais 2 anos e chega em 2006 no ponto para disputar o Senado pelo PSDB. É tudo o que ele quer.
Parece o poema
Sobras da derrota: o líder do Governo, Natálio Stica, PT, já não conversa com Tadeu Veneri,PT, nem com André Vargas, do PT, que, quando fala,briga com o PMDB. E Ângelo Vanhoni,PT, não fala com ninguém.
A hora é de lamber feridas.
Toni & Beto
A última imagem pública do ex-deputado Toni Garcia, antes da prisão de ontem, foi ao lado do prefeito eleito, Beto Richa,PSDB, comemorando a vitória, na semana passada. A assessoria do novo prefeito se apressou em espalhar pelos jornais que Toni Garcia era apenas mais um ''papagaio de pirata'', querendo se aproveitar do momento, para aparecer bem nas fotografias.
Pura desculpa.
Muito próximos
Toni Garcia é amigo de Beto Richa desde os tempos de corridas de Kart, onde os dois faziam dupla nas pistas. Foi um dos primeiros políticos de Curitiba a aderir à campanha dele para a prefeitura,onde organizou os pequenos partidos para apoiar o PSDB no primeiro turno.E a função dos pequenos partidos era denunciar, no horário político, tudo o que o PSDB não tinha coragem, para não atrair a ira dos adversários.
Trabalho silencioso
E mais: apesar do intenso (e importante) papel na campanha dos tucanos,Toni Garcia aceitou ficar apenas nos bastidores para não fustigar o seu maior desafeto no Paraná, o presidente da Copel, Paulo Pimentel,com quem disputou o Senado na eleição passada.Dono de emissoras de Tv e jornais, Pimentel não hesitaria em escancarar a presença de Toni Garcia na campanha com respingos no candidato.
Ingratidão
É claro que a prisão do ex-deputado, ontem, foi por razões alheias a Beto Richa, mas expõe uma vez mais, a ingratidão que permeia o ambiente político. Preso,Toni tornou-se um completo desconhecido do prefeito eleito e dos tucanos, que nunca o viram mais gordo, nem mais bronzeado ou mais bonito.Fica tudo na base do ladrão surpreendido carregando o porco: ''tira esse bicho daí, tira esse bicho daí''.
Nem vice, nem amigo
Bem, para o nosso Alberto Roberto, que foi vice-prefeito e secretario de Obras de Cássio Taniguchi e comportou-se na campanha como se não soubesse nem o endereço da prefeitura de Curitiba nem que Cássio é japonês, renegar Toni Garcia é o de menos.
É como ensina o mestre Guimarães Rosa: ''a gente sabe mais, de um homem, é o que ele esconde''.
Cadeia sobre rodas
Uma destas idéias de jerico que de vez em quando são adotados pelos Governos porque, em princípio, parecem geniais, está dando trabalho na gestão da Segurança. Lembram daquelas denúncias sobre presos confinados em containers ainda no período de Lerner?
Pois bem, o Governo de Requião adquiriu 50 módulos móveis, parecidos com containers, para acomodar presos temporários em delegacias superlotadas.
Boa intenção
Os 50 módulos custaram R$1.128 milhão, sem contar a instalação elétrica, hidráulica, controlador de temperatura e outros equipamentos necessários para não dar a impressão que os presos ficariam em gaiolas fechadas, como containers. E, aí estava a grande idéia, estes módulos seriam removidos de acordo com a demanda das delegacias.
Agora, com tudo pronto, descobriu-se que não existe ,em todo o Paraná, nenhuma delegacia com terreno suficiente para acomodar o ''trombolho''.
Quem paga?
A idéia não é de todo má porque poderia romper com o círculo vicioso de delegacias super lotadas e um ambiente permanente de fugas anunciadas que existe no Paraná,hoje. Londrina, Cascavel e Foz do Iguaçu são conhecidas no meio policial como o ''Trio do Medo''.
Mas um pouco, um pouquinho mais de planejamento em situações como essa evitaria gastos inúteis para os cofres públicos. E adivinhem quem acaba pagando a conta?
Daltônicas
De realidades
Informadas e inteligentes elas eram, sim. Mas capazes de tomar chá paraguaio se a vizinha dissesse que emagrecia. Entre as mulheres, a vaidade vence até o conhecimento.





