RUTH BOLOGNESE
De cabeça
Assim que o deputado Gustavo Fruet (PMDB) anunciar a adesão a Beto Richa, a família entra de cabeça na campanha do PSDB. A ex-secretária de Planejamento e Coordenação Geral Eleonora e até a mãe, dona Ivete, já estão arrumando o penteado para aparecer na tevê.
Em política, sempre chega a hora da onça beber água. Ou da onça beber a água do leão. Ou da onça esperar a hora certa e crau no Requião, quer dizer, no leão...sabe-se lá.
Tudo novo
Sobre a eterna dúvida de quem sai candidato ao governo do Paraná nas próximas eleições, o senador Alvaro Dias (PSDB) afirma: As pesquisas vão indicar . Chiiiii. É melhor Osmar Dias (PDT) colocar as barbas brancas de molho. Pela terceira vez, o galo está cantando.
Trabalhador
Todo mundo pode dizer o que quiser do senador Alvaro Dias, menos que ele não leva a política a sério. Trabalha como um mouro. É capaz de fazer plástica no rosto, implantar fio russo, mudar o penteado e no outro dia amanhecer numa reunião de vereadores em
Guaraniaçu.
O que Alvaro faz no Senado é repassado diariamente para jornais e rádios de todo o Paraná. E agora, na campanha de Beto Richa, a mais importante para seu partido, Alvaro mostra serviço junto à cúpula.
Osmar é amador
Enquanto isso, seu irmão mais novo mantém o amadorismo de sempre, tanto na participação de campanhas do seu partido como na divulgação do trabalho no Senado. Depois, quando Alvaro sair na frente como candidato, Osmar vai ficar choramingando pelos cantos de novo.
Aí, meu caro, Neves já estará muerto.
Com ou sem Belinati
O petista Nedson Micheleti, prefeito-candidato em Londrina, trabalha com a hipótese de Antônio Belinati ser confirmado como candidato pelo PSL. Já consultou juristas nacionais e concluiu que, a prevalecer a decisão técnica, o TSE confirmará a participação do ex-prefeito na eleição.
Pessoalmente, acha que o caminho definitivo para os eleitores colocarem um ponto final, ou não, na história de Belinati com a cidade, são mesmo as urnas.
O candidato que copiava
Tem adversário acusando o candidato do PSDB, Luiz Carlos Hauly, de copiar as propostas dos outros em Londrina. Muito, muito feio isso. Mas deve ser intriga da oposição. Ou Hauly precisa dar um puxão de orelhas na equipe. Onde já se viu, com tanta gente trabalhando e não tem o que por no ar?
E depois, é só falar em saúde, educação e transporte.
Catavento
Quem escolheu catavento colorido como símbolo de campanha tem que tomar cuidado. O Movimento Gay Internacional ensaia mudar a famosa bandeira colorida para... um catavento. É mais, assim, leve!
Uma história para um sábado
Trinta anos depois de ter se mudado para um dos bairros mais nobres de Curitiba, o Batel, o maestro Mário Garau, colocou à venda a casa confortável onde mora, na rua Bispo Dom José. Preferia ficar, até resistiu além da conta, mas foi expulso pelo som estridente de 21 bares que se instalaram nas proximidades nos últimos anos.
Sensibilidade
Mário Garau fundou o Coral da Universidade Federal do Paraná, o que dispensa apresentações de sensibilidade auditiva. Aos 75 anos, troca o lugar escolhido há tanto tempo para morar, pelo direito de ouvir. E de não ouvir. Cultua a ópera e outros elementos musicais que só ouvidos de sensibilidade aguçada, como os de um maestro, reconhecem. Para isso, para ouvir, também um maestro precisa de silêncio.
Sons estranhos
Mas a cidade não negou apenas a quietude para o velho maestro. Foi mais cruel. Misturou ao barulho noturno de sons high techs dos bares, as guinadas nervosas dos rachas que os meninos entediados da classe média curitibana promovem madrugadas adentro. É para preservar o direito de também não ouvir que o maestro Garau vai embora.
Reduto de vereadores
Talvez o maestro Garau e sua mulher de nome exótico, Sálua, nem saibam, mas a instalação de 21 bares ao seu redor é parte de uma invasão promovida por alguns jovens vereadores que descobriram na noite um bom investimento. São sócios de casas noturnas, ou tem irmãos que são, como o vereador Ney Leprevost (PP).
Cidade sem dono
Por aí se explica a facilidade da obtenção dos alvarás na prefeitura e a indiferença dos órgãos públicos diante da quebra da norma básica que sustenta a urbanidade, o respeito pelo bem estar do vizinho. O maestro vai deixar o coração do bairro do Batel e quem traduz o espírito dessa típica (e especial) família curitibana é dona Sálua: Curitiba virou uma cidade sem dono. Ou com apenas alguns donos.





