RUTH BOLOGNESE
Caixa baixo
As coordenações de campanhas em geral se queixam que andam de caixa baixo. Está certo que muito dinheiro não garante sucesso eleitoral. E pouco dinheiro atrapalha, sim, especialmente porque a produção de programas de tevê e rádio - essenciais para divulgar as candidaturas - não custa barato e consome boa fatia dos recursos gerais.
Com retoques
Criatividade seria a palavra-chave para compensar a grana curta. Mas ainda não foi desta vez que ela marcou presença na campanha deste ano. Londrina não foge à regra. E candidatos receberam retoques que não conferem com os originais.
Óculos de grau?
Por exemplo: os óculos do Barbosa Neto são de grau ou só de enfeite, pra dar a ele um ar moderno e ao mesmo tempo sério? Mas ele não parece um 'professor', gente, e sim um 'aluno'.
Gravata no verão
Fica esquisito Barbosa discursando que lugar de prefeito não é no gabinete e sim junto do povo, com gravata estrangulando o colarinho da sua camisa de mangas compridas. É verdade, seu figurino está bem diferente de quando locutor de comícios e fazia o gênero garotão atlético, usando camisetas básicas, apertadinhas. Só que pra passar a idéia de que amadureceu está 'enforcado' debaixo do maior sol.
Pouco à vontade
Uma característica de Alex Canziani sempre foi cumprimentar Deus e o mundo. Mas seus programas de tevê só o mostram confinado ao estúdio. Às vezes ele parece pouco à vontade.
Suplicando votos
Luiz Carlos Hauly desta vez tem um estilo suplicante de pedir votos, usando também as sobrancelhas que levanta a toda hora. Bem que ele se esforça ao máximo, mas mastiga metade das letras ao pronunciar a palavra em-pre-en-de-do-rismo. Logo ele que tem um projeto para empreendedor.
Menos gloss
Para Hauly ler tudo direitinho, valeria passar por aqueles treinos de pronúncia. Ele deveria repetir 100 vezes frases como 'o rato roeu a roupa do rei de Roma' ou 'três tigelas de trigo para três tigres tristes'. Vichi! Mesmo que a técnica não dê resultados, vale um alerta para a assessoria do candidato: há um excesso de gloss (brilho) rosado no bico do tucano.
Amadorismo
A sorte de Antonio Belinati é que ele tem um tempo muito pequeno e usa sua experiência de radialista para tentar compensar o amadorismo geral do seu programa. Se fosse depender só da produção, das imagens e das entrevistas que mostra na tevê, não teria como sustentar seus índices nas pesquisas.
Metralhadora
O governador Roberto Requião dá as caras no programa da Elza Correia. Aliás, só ele fala, e feito uma metralhadora giratória, desfiando projetos e mais projetos seus, que considera um sucesso, como aquele do leite pras crianças.
Dois de paus
Requião faz elogios e mais elogios à deputada, daquele jeito dele: parece estar dando um pito geral. E ela, feito dois de paus, ao lado do governador, de boca calada e sorriso miúdo. É mera coadjuvante. Limita-se a acenar com a cabeça concordando com tudo. Fazer o quê?
Casa Rosada
O comitê do PT e QG de seus candidatos a vereador, ali na Guilherme da Mota Correa, no Shangri-lá, só podia ganhar o apelido que ganhou: Casa Rosada, em referência à sede do governo argentino. É um imóvel bacana, com arcos rosados, e que abriga uma estrutura de campanha bem diferente do passado de miserê do partido.
E a Globo?
O PT tá podendo, tá com café no bule. O prefeito Nedson Micheletti, candidato à reeleição, até diz que não participa em carne e osso de debates. Mas ele parece ter criado esta regra só para as reuniões menores, na periferia. Como diria não à Globo, que promove debate no final do mês?
Cineminha
Atenção, Hollywood! Alô, Alô Mel Gibson! O vereador Orlando Bonilha, presidente da Câmara Municipal de Londrina, está usando o filme ''A Paixão de Cristo'' na periferia, para atrair eleitores. A propósito: a fita de vídeo é made in Camelódromo?
Alto nível
É sempre assim: depois da largada inicial e das primeiras pesquisas, as promessas de uma campanha de 'alto nível' viram poeira. Em pelo menos três cidades do corredor metropolitano aqui do Norte do Estado, onde não têm horário eleitoral na tevê, a disputa pega fogo e já virou caso de polícia.
Incêndio
Em Apucarana, o candidato a prefeito e médico Beto Preto (PPS) denuncia atos de agressão contra a sua campanha: a invasão do site oficial por um 'hacker', a depredação dos escritórios dos advogados de uma candidata a vereadora e o incêndio de uma caminhonete pertencente a um cabo eleitoral. O caso está na Polícia Civil, na Justiça Eleitoral e no Ministério Público.
Cartas anônimas
Jandaia do Sul passou uma onda de cartas anônimas contra o candidato Fábio Borba (PMDB) e sua família. Já em Ibiporã, houve a invasão do comitê local do PMDB, com o furto da memória de dois computadores.
Isto ajuda a revelar que aquele tal de 'alto nível' deve ser qualquer coisa, até nome de loja de roupa, menos de uma campanha eleitoral decente.
* Rose Arruda, interina, de Londrina.





