RUTH BOLOGNESE
Fora do palanque
O arcebispo dom Albano Cavallin não será visto no palanque que as autoridades frequentam no 7 de Setembro, festa organizada pela Prefeitura Municipal de Londrina, na Leste-Oeste. Escolheu a companhia dos religiosos da Toca de Assis, congregação nova no Brasil, que faz show no Ginásio de Esportes Moringão.
Padres e excluídos
''É prudência'', diz ele sobre estes tempos em que um cumprimento, um aperto de mãos pode parecer adesão. Dom Albano evita também o constrangimento de assistir a padres desfilando entre os participantes do Grito dos Excluídos, coisa que desaconselha.
Que critérios?
Nos últimos dias o arcebispo andava calado sobre o surto de independência que tomou conta do movimento de leigos na cidade. Eles desafiaram a autoridade, falando em apoio a um grupo fechado de candidatos católicos nestas eleições. Dom Albano pulverizou a proposta na casca, questionando os critérios. Os que vão à missa teriam mais chances de fazer parte da lista?
Sem santinho
O arcebispo baixou uma ordem proibindo distribuição de santinho nas portas das igrejas e nada de cartazes nos salões paroquiais. Ninguém deve usar bolacha e adesivo no peito em reuniões. É da lei, e a Igreja não tem um partido, faz questão de acentuar. Mas ele reconhece que não é tarefa fácil saber o que se passa em 70 paróquias e 300 igrejas, com 10 mil voluntários, 137 padres, 370 religiosas, 5.000 catequistas, 2.300 ministros da Eucaristia.
Em carne e osso
Não se pense que dom Albano quer a Igreja Católica de Londrina fora do processo eleitoral. Apóia que as paróquias abram as portas para debates entre os candidatos, como forma de esclarecer a população. ''Nada melhor que ver alguém tratar do seu projeto de governo em carne e osso'', recomenda.
Santa torcida
Apesar da magnitude das funções, o arcebispo diz que não se sente pressionado. O que lhe ajuda é a sinceridade, não ter dificuldades para sempre dizer o que pensa. Só que em se tratando de religião, política e futebol, respeito é bom e necessário, diz ele que, muito apropriadamente, torce pelo Santos.
Londrina X Requião
O londrinense ainda não aprendeu a engolir o governador Roberto Requião. A cidade que votou em Álvaro Dias, nas últimas eleições, mostra que continua de mal da administração do PMDB. No último levantamento da Alvorada Pesquisas, Roberto Requião tem 44,8% de reprovação contra 38,2% que o aprovam.
Pessoal e intransferível
Pelo visto o eleitorado de Elza Correia prefere vê-la subindo nas tamancas, como nos primeiros programas eleitorais. Depois que a candidata adotou estilo mais light e seu vice Leonilso Jaqueta assumiu o porrete, isto se refletiu nas pesquisas. O que prova que estilo é que nem voto. É pessoal e intransferível.
Big patrocínio
O apresentador Carlos Camargo foi parar nas páginas políticas quando ensaiou uma candidatura a vice. Aquela fama fugaz rendeu. Seu programa policial na tevê obteve um big patrocínio.
Pragmatismo
''Eleição não é caso de ideologia e, sim, de oportunidade''. Esta frase, do deputado federal Paulo Bernardo, da tropa de choque de Lula, apareceu no blog do jornalista Ricardo Noblat. É de curioso pragmatismo e dá o que falar.
O Zerão na campanha
Devia ser campanha o ano todo em Londrina, filosofa o atleta de final de semana, sorvendo golinhos de água de côco. Só assim os meio-fios ficam pintados, a sujeira some de muitas praças e até o Zerão é repaginado. A grama é aparada, tem lâmpadas nos postes e o parque infantil fica nos trinques. Êta primavera boa.
Gustavo, o pensador
O deputado federal Gustavo Fruet, do PMDB cansado de guerra, rompido com os espalha-brasas do PMDB velho de guerra, passou o final de semana a pensar. Ele decide qual candidato à prefeitura de Curitiba seu grupo apóia. Ganha um tucaninho em madeira pintada quem apostou no Beto Richa.
Exploração sexual
A senadora Patrícia Saboya (PPS-AL) está só aguardando que o Congresso Nacional retome suas sessões e reuniões normais para fazer a leitura do relatório da CPI da Exploração Sexual. As eleições dão fôlego para quatro paranaenses que devem ser denunciados pela Comissão. Todos de Foz do Iguaçu.
Visita à casa
Tantos anos depois de ter me afastado da FOLHA, mas não da política e do jornalismo, volto em visita à casa. É sempre bom estar por aqui, ainda que seja uma baita responsabilidade esta de substituir a Ruth Bolognese. Ela tirou uma pequena folga e faço as colunas de hoje e de quinta-feira.
Daltônicas
Ela não resistiu ao seu charme quando ele a tirou para dançar no supermercado. O encanto acaba quando ele deslizou no português: ''Eu te amo você''.
* Rose Arruda, interina, de Londrina.





