RUTH BOLOGNESE
Guia do Candidato Pobre
Muitas são as formas para ganhar uma eleição. Mas, como bem disse um marquetólogo norte-americano, são três as fundamentais: 1) dinheiro; 2) dinheiro; e 3) dinheiro. Claro, marquetólogo norte-americano deve saber bem do que está falando. Mas nós vivemos no Brasil, onde poucos, muito poucos, entendem de dinheiro. A vantagem é que temos o famoso ''jeitinho brasileiro'', quase sempre um drible genial para chegar antes ao mesmo resultado, e sem condições técnicas para isso. A grande maioria dos que nasceram ou adquiriram o sobrenome ''Requião'' depois do Roberto, e estão no governo, sabem bem do que se fala.
Jeitinho brasileiro
É justamente a partir do conceito do ''jeitinho'' que preparamos o Guia do Candidato Pobre, o quarto da série dos 487 que pretendemos publicar até o fim do período eleitoral, com as fórmulas para resolver os mais variados problemas de campanha. Pelo volume de cartas, e-mails e telefonemas de candidatos agradecidos, os guias têm ajudado, e muito. Portanto, se você não nasceu rico, casou apaixonado com uma moça nas mesmas condições (até porque se não estivesse apaixonado não casaria com moça pobre), fecha os olhos com força e vira o rosto quando houve falar nas taxas do cheque especial, leia e guarde esse guia. Um dia, ainda há de me agradecer. Filie-se ao PT - é o mais novo rico das campanhas eleitorais. E novo rico compra até telefone em forma de sapato. Daí...
Programa de TV-Rádio
Contrate o Duda Mendonça, marquetólogo que levou primeiro, o Paulo Maluf para o governo de São Paulo e, depois, Luiz Inácio da Silva para a presidência do Brasil. Ora, se o Lula, que era um pé rapado lá de São Bernardo do Campo, teve cacife para contratar o Duda depois do Maluf e seus milhões de dólares que circulam pelo mundo em lugar incerto e não sabido, você também pode. É ou não é? A lei das probabilidades só te favorece.
Compre um avião
Seguindo na mesma linha do Duda, se o Lula comprou um avião de milhares de dólares para visitar governos africanos que estão há 40 anos no poder, por que você não pode ir de avião do centro da sua cidade até a zona rural? Hein? Já pensou no efeito entre os eleitores?
Chame o Belinati
Convide o candidato a prefeito de Londrina, Antônio Belinati, para passar uns dias com você. Observe tudo o que ele fizer, desde trocar os sapatos por chinelo de dedo, o lado da camisa que ele põe pra fora da calça, o lado em que penteia o cabelo, como ele come na marmita de alumínio e, principalmente, como ele curva as costas para mostrar a tristeza profunda que lhe vai na alma. Belinati está levando no bico quase Londrina inteira, provoca compaixão e pede voto como pede perdão à virgem. É o gênio da pobreza. Tem muito a ensinar nessa área.
Chame o Jaime Lerner
Eis aí um golpe de mestre. Preste bem atenção: no meio da praça da sua cidade, improvise uma prancheta de arquiteto, duas canetas bic escrita fina, e coloque o Jaime Lerner sentado num banquinho alto na frente da prancheta. Logo, logo ele vai começar a desenhar o novo traçado urbano da cidade. Só tem uma rua? Não importa. No final da rua, ele vai desenhar uma montadora de automóveis. Pronto, aí você começa a falar nos empregos que serão criados. Estará com a eleição no papo, companheiro. E como vai cumprir a promessa? O Paraná inteiro votou no Lerner durante 30 anos só por causa dos desenhos dele. Por que iria exigir, justo de você, o cumprimento das promessas?
Dicas finais
Se nada disso der certo, opte por uma dessas dicas em anexo. Ganhará tanto dinheiro que nunca mais vai pensar em política.
a) Promova um campeonato paranaense de ''Tiro à linguiça''. A coligação PT/PMDB pagará muito bem para participar em todo o Estado.
b) Funde uma escola para políticos analfabetos. Vai faltar vaga.
c) Escreva uma tese sobre a importância do ''i'' na palavra engenheiro e na falta de assunto de campanhas eleitorais. Colher dados com Beto Richa, em Curitiba.
d) Lance no mercado da moda o modelito ''contador fashion''. Fotografar Nedson Micheleti.
e) Lance uma nova versão do ''Crecin 2000'' só para candidatos e funcionários do primeiro escalão do governo. Fazer a primeira experiência com o ''Vovó Nana'' no Porto de Paranaguá.
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