RUTH BOLOGNESE
Dúvidas em concursos
Advogados de todo o Paraná enviaram, nos últimos dias, informações sobre o que chamam de uma ''velha prática'' nos concursos para juiz em que, dizem, a cada ano, parte das vagas é sempre reservada para os filhos, genros e aparentados dos desembargadores e organizadores dos concursos.
Formas e privilégios
Depoimentos de participantes desses concursos, que não se identificam por medo de represálias do próprio sistema Judiciário, contam que em vários concursos dos quais participaram, candidatos que não passariam sequer na primeira prova, aquela básica que o computador corrige, recorreram ao próprio Tribunal de Justiça, que concedeu liminar, e garantiu a participação nas fases seguintes.
Aprovados e felizes
Os ''privilegiados'' foram aprovados com louvor e ganharam boas e belas cidades para exercer a nova função, conforme listas de sobrenomes conhecidos e influentes do meio. Só no concurso do ano passado, seis candidatos eram parentes de desembargadores.
Corrida familiar
Hoje, informam os advogados, há uma verdadeira corrida não só no Paraná, mas no Brasil inteiro de pais, tios e avós bem posicionados na área da Justiça, para garantir as vagas aos parentes, antes que a reforma do Judiciário terceirize a organização dos concursos.
Moralização
É de praxe que reprovados em concursos, em qualquer área, apontem falhas na organização e privilégios. Até existe até o velho jargão ''jurídico'' para situações como essa: justus sperniandis. Mas, no caso dos concursos públicos na área do Judiciário, a acusação de privilégios é mais velha e mais persistente do que qualquer outra.
E, por incrível que pareça, o silêncio do Tribunal de Justiça do Paraná sempre ocorreu na mesma proporção das desconfianças.
PHX investiga
Um dos assessores jurídicos mais próximos de EL Supremo, o advogado Pedro Henrique Xavier, presidente do Conselho da Sanepar, solicitou informações detalhadas ao Tribunal de Contas sobre um jornalista que lá trabalhou. Abre precedente que pode ter efeito bumerangue.
Escritor em disputa
O escritor Domingos Pellegrini, um dos mais premiados do Paraná, desembarcou repentinamente da campanha de Luiz Carlos Hauly, PSDB, para embarcar e coordenar a campanha de Barbosa Neto, PDT. Deixou pela metade todo o planejamento de trabalho que já vinha fazendo desde o anúncio oficial da candidatura.
Livro pronto
Pellegrini havia acertado pagamento de R$ 15 mil mensais para comandar a área de comunicação da campanha de Hauly. O escritor está a um ano escrevendo o livro ''O Sonho de Salomão'' sobre a família Hauly, de origem libanesa, que há 70 anos veio do interior de São Paulo para Londrina e a participação na campanha veio naturalmente.
Até agora, Pellegrini não comunicou a desistência para o deputado Hauly, que soube da notícia por terceiros.
Família com todos
Já a família Janene, sob a liderança do deputado José Janene, PP, ataca em todos os campos: José Janene está com Antônio Belinati, seu irmão, Faiçal, tem contratos com as prefeituras petistas de Londrina, Santo André e Canoas (RS) e o outro irmão, Assad, está na campanha de Barbosa Neto.
Isso sim é que é pragmatismo. Até parece o PT.
Mais amigos
Mais jornalistas contratados nas campanhas: Rosemeire Tardivo, a amada ''Fifi'', ilustre representante de Santa Cruz de Monte Castelo está com Osmar Bertoldi, candidato a prefeito pelo PFL de Curitiba e Carlos Ruggi, fotógrafo de grandes jornadas, vai de Ângelo Vanhoni, PT.
Imparcialidade
Com tanto amigo jornalista trabalhando para candidatos nestas eleições, vamos ter que jurar, de pé junto, todos os dias, que a coluna é imparcial. Jornalista, quando vai trabalhar em campanha, o primeiro neurônio que perde é o da crítica. O candidato dele é sempre o mais perfeito. E se magoa, profundamente, quando percebe que o restante do universo não tem a mesma opinião.
Fala-se aqui em nome da experiência própria.
Atenção, revisão
Leitores andam reclamando de falta de revisão nesta coluna. E com razão. É preciso esclarecer, no entanto, que não é só culpa da revisão. Os erros de português, concordância e afins são de origem mesmo. Antes de admitir colunistas, todos os jornais deveriam fazer como a Justiça Eleitoral de Curitiba: exigir atestado de alfabetização. E essa exigência deveria se estender, também, para todos os políticos, de vereadores a presidente da República...
Daltônicas
De coincidências
Tinha um cachorro que só faltava falar, de tão inteligente e sensível. Tinha um amigo que só faltava latir, de tão estúpido e agressivo.





