RUTH BOLOGNESE
Sem lero-lero
A partir de hoje, o parlamento brasileiro entra em recesso. Problemas para o senador Álvaro Dias (PSDB) que fica sem ter o que fazer. Ultimamente, o senador dedicava-se a pronunciamentos diários sobre todo e qualquer assunto que surgisse pela frente.
Um dos últimos discursos inflamados do senador paranaense foi sobre o escritor Leandro Tocantins, arretado defensor da região amazônica. E o termo mais recente que caiu nas graças de Álvaro Dias é ''odiento''. Ele pronuncia a palavra com aquela voz de locutor de rádio, assim, ó: ''política o-di-en-ta que se faz no Paraná.''
Ai que mêda, como diria Dedé Mocó.
Palpiteiro
Depois de uma temporada nos Estados Unidos, o ex-presidente da Itaipu Binacional, Euclides Scalco, se prepara para trabalhar na campanha de Beto Richa, do PSDB. Vai ser consultor.
Homenagem
Scalco publicou, do próprio bolso, um pequeno jornal em homenagem ao médico e amigo, Walter Pecoits, o maior herói da luta pela terra na década de 50 no Sudoeste e morto recentemente. O poema é uma ode sobre a vida de Pecoits feito pelo ex-secretário de Saúde, Armando Raggio.
Obra questionada
Arquitetos curitibanos pedem análise do Instituto de Arquitetos do Brasil, sessão PR, nas obras em andamento na portaria do prédio da Assembléia Legislativa. Querem saber se o prédio, histórico e público, não sofrerá danos.
Se bem que as obras da portaria estão paralisadas. A construtora responsável faliu.
Dúvida cruel
Gente da própria Federação das Indústrias está em dúvida sobre a campanha do Governo do Estado, onde se anuncia que o Paraná gerou o dobro de empregos na área industrial, em comparação com São Paulo: é um auto elogio ou uma crítica ao governo de Geraldo Alkmin, do PSDB?
Tão longe, tão perto
O desfecho do caso entre a Sanepar e o grupo Dominó Holdings poderia ter tido um desfecho bem diferente: a ministra Eliana Calmon (na foto, sentada), do Supremo Tribunal Federal que, na semana passada, numa canetada, jogou por terra todas as medidas estatizantes tomadas pelo governo do Estado, tem relações pessoais muito próximas ao governador.
Amiga pessoal
Desde 1989, ainda como juíza federal, Eliana Calmon conheceu a advogada Célia Baron (no centro), numa viagem a Miami. A partir daí, surgiu uma forte amizade que perdura até hoje. Célia foi secretária do gabinete de Requião nos 4 anos do primeiro governo, seguiu com ele nos 8 anos de Senado e, ainda hoje, é uma das principais assessoras de dona Maristela no Museu Oscar Niemeyer.
Conversa franca
Baiana, a ministra Eliana defende que as questões judiciais não devem se limitar apenas a documentos e papéis mas sim, considerar o lado humano e emocional das causas, conta Célia Baron, respaldada pela longa convivência e pelas inúmeras conversas sobre a área em que ambas atuam.
Caso Tocafundo
Procedeu assim, por exemplo, no desfecho do caso Tocafundo, no ano passado, que levou 20 anos para chegar ao STF e manteve a indenização pedida pela família para o menino Emerson, que sofreu acidente no colégio Medianeira de Curitiba.
Emoção no julgamento
Outra coincidência aproxima a ministra do governador Requião: na sabatina no Senado a então juíza foi conduzida ao plenário por dois senadores, Pedro Simon, do PMDB do Rio Grande do Sul e Roberto Requião. Com tudo isso em mãos, o governo do Paraná só se lembrou que poderia conversar diretamente sobre a questão da Sanepar com a ministra que iria julgar o caso, na véspera da decisão.
Telefonema urgente
Às 23h35 de quinta-feira, o governador Requião telefonou para Célia para que marcasse uma conversa com Eliana. Era tarde demais. No dia seguinte, a ministra fez valer o acordo feito no governo Lerner com o grupo Dominó, dono de 37% das ações da Senapar mas com o mesmo poder de força do sócio majoritário, o governo. E jogou por terra a tentativa do próprio governo de aumentar o capital da empresa.
Justificativa
No seu despacho, Eliana Calmon usou argumento singelo e definitivo: o contrato firmado com a iniciativa privada, em 1998, não pode ficar ao sabor do Poder Público, que decidiu rompê-lo. Ao governador Requião sobrou a expressão daquele personagem do ''Zorra Total'': ''Ah, se eu tivesse intimidade...''
Daltônicas
De cinderelas
O marido ficou rico e ela parou de trabalhar. Passou a receber mesada volumosa. Antes feminista e moderna. Agora, madame e mais bela. ''Ele começou a dar ordens lá em casa. Eu obedeço. Reclamar? Nunquinha. Tá tão bom assim''.





