RUTH BOLOGNESE
A Força de Botto
É cada vez maior a influência do procurador-geral Sérgio Botto de Lacerda nas decisões do presidente do Tribunal de Justiça, Oto Sponholz. Na sexta-feira, o próprio Botto deixou claro isso. Telefonou para o advogado Alfredo de Assis Gonçalves Neto, que ainda comemorava a obtenção de uma liminar da Justiça, permitindo a abertura de todas as casas de bingo em Curitiba, e foi taxativo:
-''É melhor manter os bingos fechados porque vou obter a suspensão imediata da liminar junto ao Dr. Oto Sponholz''.
O motivo da influência
A decisão do presidente do TJ, a favor do governo, no caso dos bingos é perfeitamente compreensível, já que se pode encontrar argumentos sólidos para a campanha movida pelo governador Requião contra a atividade. O que não é compreensível é o Procurador Geral antecipar, em alto e bom som, uma decisão pessoal e intransferível do presidente do Tribunal, Oto Sponholz.
Assim como não se compreendeu, nessa semana, a supensão das liminares, pelo mesmo presidente Oto Sponholz, que apontavam os flagrantes abusos cometidos pelo governo do Estado nas contratações irregulares e na programação da TV Educativa.
Ainda uma impressão
A fina sintonia entre o Poder Judiciário e o governo do Estado é salutar para a sociedade paranaense. O menor desequilíbrio entre esses dois elementos, porém, coloca em risco o nosso bem maior, que é a democracia. Dada a delicadeza das circunstâncias, fiquemos por enquanto com a possibilidade do Procurador Geral ter falado demais e com força de expressão. E do presidente do TJ ter cumprido apenas o dever da própria consciência.
O Paraná como ele é ( com charge)
A CAPITAL
Todo paranaense deve se interessar pela sua Capital. A começar pelo simples fato que é a maior cidade do Estado, coisa que os pés vermelhos, por exemplo, não aceitam como fato consumado. Agora, aquela velha história de que os londrinenses jamais se conformaram em não sediar a capital do Paraná além de velha, é mentirosa. Que carregam o rei na barriga é apenas meia verdade histórica.
Londrina, vamos esclarecer em definitivo, não apenas se sente inglesa. É uma monarquia. E de diferente linhagem dos brasileiros Órleans e Bragança, primos pobres que se instalaram em Petrópolis e ficam por aí debatendo esportes na TV ou desfilando em passarelas. Uma visita histórica, ainda não analisada sob o prisma psicológico, comprova a existência de um povo no Paraná que, ao contrário do que todo mundo diz, não carrega o rei na barriga. Mas o é, de fato.
Há 81 anos, quando Londrina era apenas um povoado de 150 casas de madeira, aninhadas na mais bela e densa floresta tropical do País, recebeu a visita do príncipe de Gales. Sim o príncipe de Gales, que veio conhecer a colonização feita pelos ingleses através da Plantations Syndicate Ltd e sua subsidiária local, a Companhia de Terras Norte do Paraná. Foi bate e pronto. A partir daí, cada londrinense passou a conviver com a certeza que corre por suas veias o legítimo sangue inglês, da dinastia dos Windsors. E nenhum nobre se curva aos bárbaros. Entenda-se por bárbaro qualquer um que não tenha sujado o calcanhar na terra roxa. E muito menos se deixa influenciar pelos hábitos, sotaques e costumes de uma distante e enevoada cidade de nome estranho, nativa, fria, que se diz Capital.
Isso explica porque uma das expressões nacionais mais conhecidas, que nasceu em Londrina, é ''pelo andar da carruagem''. Linguagem restrita aos nobres. Se a expressão tivesse sido cunhada (do verbo cunhar, tal qual se faz com o brasão) no Sul seria, logicamente, ''pelo andar da caroça'', assim mesmo com um ''r'' apenas, como falam os imigrantes-aldeões.
Essa mania de Londrina se achar o centro do mundo gruda na gente como chiclete velho. Só pelo fato de escrever para a ''Folha'', um jornal local, a série domingueira que pretendia explicar Curitiba para o restante do Estado, se auto-esfacelou na primeira linha. Voltaremos na próxima semana, aí sim, falando de Curitiba. De Cu-ri-ti-ba!





