Entre dois senhores

Mais de 30 dias no cargo e o líder do Governo na Assembléia Legislativa, Natálio Stica, do PT, anda mais perplexo que cachorro embarcado: mira num ponto indefinido, onde nada se vê, e quieto, paralisado, vai sendo levado pelas águas. Para onde? Não se sabe. Substitui,sem louvor, seu antecessor, Ângelo Vanhoni, também do qual nunca se ouviu o som da voz durante mais de um ano no cargo.
Não é por nada não, mas a história conta que o Império Romano se desmantelou justamente porque a tigrada se dividiu entre dois senhores. Com a diferença que na Assembléia do Paraná, ainda por cima, os tigres é que estão no comando: PT e PMDB.

Partido dos Honorários

Os deputados do PT não param mais de receber títulos de cidadão honorário em todo o Paraná. Daqui há pouco, numa dessas dissidências, já poderão criar o PH, Partido dos Honorários.
Vamos evitar os trocadilhos e as más interpretações, por favor.

Nas águas da política

Informa o correspondente secreto que, em Londrina, a questão da água é mais politizada do que a escolha do Papa. E todo ano é a mesma coisa: se o Governo de plantão no Palácio e o prefeito de plantão na Prefeitura são do mesmo lado, é tudo ''rosinha flores'' e renova-se o contrato entre a Sanepar e a cidade.

Ao contrário

Se os lados se estranham, aí o prefeito começa a achar que a água está muito clorada, diz que o povo faz cara feia quando mata a sede, coça a orelha e fala em municipalização do sistema. E em Curitiba, o presidente da Sanepar fica com a mão na torneira, olhando direto para o Governador. A um sinal de negativo, fecha.

Tarifa e investimentos

Por tudo isso, o que técnicos e políticos estão encasquetando diante desse sistema compartilhado entre Governo e Prefeitura na Sanepar não está no gibi. O prefeito Nedson garante que, a partir de agora, a prefeitura passa a interferir no custo da tarifa e na prioridade dos investimentos locais. A Sanepar se comporta a lá maracujina, tranquila, tranquila, como se não estivesse cedendo poder de decisão em questões cruciais (investimentos e tarifas), quando daqui a pouco terá comparecer com os dividendos.

Qual é o jogo?

Político não dá ponto sem nó, nem nó sem barbante, então se conclui que: ou o Governo resolveu apoiar Nedson mesmo, com PT e tudo, ou espera ganhar com a deputada Elza Correia, do PMDB, e retomar a questão da Sanepar só depois das eleições, em casa, sossegado.

Um vice para Elza

Apesar de conversas e salamaleques com o radialista Carlos Camargo e com o José Mendonça, quem deve mesmo sair candidato à vice de Elza Correia em Londrina é o presidente do diretório municipal do PMDB, Miguel Alves Pereira Junior, na chamada chapa puro-sangue. É médico, quarentão (se essa coluna fosse a cores os olhos verdes dele cintilariam) e ''solito''. Com mais 10 cms de altura poderia estar em ''Celebridades''.
Atenção, meninas: o moço é candidato a vice-prefeito não a noivo.

Miguelzinho

Dr. Miguel é de família de médicos-políticos, os Alves Pereira, tradicionalmente à esquerda. O tio Justino, foi deputado de vários mandatos, e o pai, Miguel, prefeito por várias legislaturas na querida Terra Boa. O outro tio, Dr. Henrique, não quis saber de política, mas foi o terror da nossa infância, com as receitas de injeções doííidas que nem o cão. Miguelzinho, como é chamado em família, foi criado no meio político e ser médico e candidato à vice-prefeito de Londrina é apenas consequência.

Trajetórias diferentes

Ao contrário dessa colunista, que saiu de Terra Boa há 30 anos, só com uma mão na frente e outra atrás, e chegou até aqui ralando, vencendo desafios extraordinários, trabalhando que nem uma condenada para enfim, alcançar a glória: ter o privilégio de relatar, todos os dias, para todo o Paraná, o trabalho da nossa gloriosa classe política. E saber onde os deputados Mauro Moraes (PL) e Barbosa Neto (PDT) arrumam o penteado e qual o nome do massagista facial do senador Álvaro Dias.
Eta ''nóis'' hein Miguelzinho?

Como quem risca a pedra

A ditadura militar é tema recorrente e de vários pontos de vista: documental, crítico, analítico e até saudosista. No romance ''Como quem risca a pedra'', o curitibano Paulo Sá Brito escolheu contar a história singela e comovente de um grupo de meninos de Curitiba dos anos 60, de esquerda, suas paixões amorosas e políticas, suas estripulias, num ambiente carregado de medo e perseguição.
Sá Brito, que hoje mora em Florianópolis, viveu nessa época em Curitiba e, de certa forma, escreve sobre si mesmo e seus amigos, entre eles o jornalista Luiz Manfredini, responsável pelo prefácio do livro. O lançamento será nessa quinta-feira, às 19 horas na livraria Dario Velozo.

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