RUTH BOLOGNESE
As vias do pedágio
Enquanto a Procuradoria Geral do Estado se bate, sem sucesso, para anular os contratos com a turma do pedágio, o Ministério Público Federal pode chegar lá rapidamente. E pela tese de inexistência de via alternativa, que atinge diretamente a concessionária Ecovia, da rodovia das Praias, a BR-277.
Alegação esfarrapada
Com a maior cara-de-pau do mundo, a Ecovia apontou duas vias alternativas para quem desce a serra do Mar e não quer pagar pedágio: a centenária Estrada da Graciosa, onde está proibida a passagem de veículos pesados e a volta por Santa Catarina, uns 200 kms a mais, com a travessia da Baía de Guaratuba por ferryboat .
Via aérea e no lombo
A Ecovia se esqueceu de citar outras duas alternativas, a via aérea e as picadas abertas pelos tropeiros.Transportar milhares de toneladas de soja por avião, por exemplo, ficaria um pouco mais caro e difícil, por causa da neblina na Serra do Mar. E no lombo de burro, levaria uns 10 anos, mas poderia dar mais emprego, não é? Aos burros, lógico.
No TRF
A alegação (ridícula) da Ecovia está no processo em andamento no Tribunal Regional Federal, de Porto Alegre. E o procurador do Ministério Público Federal, que defende a anulação do contrato, é ninguém menos do que Sérgio Cruz Arenhart, filho do desembargador Arenhart, que ganhou recentemente ação contra o governador Requião, por ofensas em época de campanha.
Às vezes, a Justiça também consegue trazer boas novas, não é mesmo?
Entrevista com dona Ruth
Duas senhoras em Curitiba deveriam recortar a entrevista de dona Ruth Cardoso na ''Veja'' dessa semana e colocar na porta da geladeira. ''Governar'', diz ela, ''não é levar em conta a opinião da mulher ou do assessor''.
Pois é, nesse segundo mandato na Prefeitura de Curitiba, dona Marina Taniguchi manda mais do que o marido, escolhe secretários, demite, ordena, faz o diabo. E dona Margarita Sansone, no mandato de Rafael Greca, chegava junto em tudo. Às vezes, até na frente.
Duas experiências que se mostraram desastrosas, de todos os pontos de vista.
No Paraná
Mas, tradicionalmente, nossas primeiras damas seguiram o exemplo dado pela antropóloga Ruth Cardoso. Foram discretas e eficientes. A única que tinha fogo nas ventas mesmo era Marlene, mulher de Mário Pereira. O governador Requião vivia insinuando que Marlene era a verdadeira cascavel, um trocadilho infame com a cidade da família dela.
Um dia, num jantar em Santa Felicidade, Marlene não se conteve: ''Cuidado, governador. O senhor nem queira saber o que é ser mordido por uma cascavel''.
Mulher do povo
Marlene tinha (e tem) um jeito extraordinário, daquelas moças espertas do Interior, ladinas, a quem nada escapa. Sincera e exata. Apaixonada pelo marido e ciumenta. E observadora. ''Sabe'', dizia, ''essa mulherada toda aí, chic que vem me agradar, no fundo, no fundo, só ficam me gorando. Loucas pro Mário ficar viúvo''. Sábia Marlene.
Frituras em ação
Se o ''Hora H News'' sai com manchetes contra o presidente da Itaipu, Jorge Samek, e o secretário Renato Adur, do Desenvolvimento Urbano, a conclusão só pode ser uma. O Palácio Iguaçu está derramando azeite na frigideira. E de oliva, para fritar com mais sabor e deixar os dois bem amarelinhos.
O ''Hora H News'' está para o governo Requião como o ''Pravda'' estava para o comunismo de Moscou. Tradutor fiel das idéias de jerico do Partido. No caso específico, do Palácio Iguaçu.
No elevador social
A ordem na Federação das Indústrias é a separação de elevadores: diretoria e visitantes usam os elevadores da frente e funcionários, os do fundo. O presidente, Rodrigo Rocha Loures, só pode ter encarnado o espírito do seu antecessor. O ex-José Carlos Gomes Carvalho, o Carvalhinho, bem que tentou fazer essa separação mas recuou, diante da resistência dos funcionários. Vamos ver o que acontece agora.
Assalto no Bologna
Ninguém falou nada mas, na semana passada, o Bologna, um dos mais tradicionais restaurantes da cidade, foi assaltado por volta das 22 horas. Três homens encapuzados fizeram uma limpa no caixa e nos clientes. Madames entregaram seus rolex e crianças ficaram em choque.
Gente fina
Quem vai ao Bologna são famílias tradicionais de Curitiba e políticos de todos os naipes. O restaurante, na região nobre do Batel, é local mais próximo de um cantinho chic italiano que Curitiba tem. Se a clientela não está segura no Bologna, imagine no resto da cidade.
Daltônicas
De imperfeições
Bebeu demais e deu vexame no boteco. Envergonhada, sumiu. Um dia encontrou o dono do boteco, que deu lição de vida. ''Você é incapaz de errar de vez em quando? Até para o vexame tem que ter competência, ora essa.''





