Lembranças de Quebec
O relato da viagem de uma semana da Grande Missão do Paraná ao Canadá, feito pelo secretário da Indústria e Comércio, Luis Mussi, foi patético. Ao mostrar, durante a Escolinha do Professor Requião, ontem, uma coleção de fotografias, o secretário não foi capaz de lembrar nem o nome correto de metade das pessoas e, muito menos, os cargos. Imaginar que ele soubesse de que cidade ou província falava, já seria exigir demais.

Água afrodisíaca
Enquanto ia descrevendo a Missão, Luiz Mussi referiu-se a um empresário de laticínios canadense como ''o cara do leite''. E chamou outro de ''Hilton Quebec''. Apontou prédios comuns como sendo o Parlamento. E quando apareceu a fotografia do governador abraçado a uma moça, Mussi revelou que Roberto Requião havia ganhado uma garrafa de água afrodisíaca. Mas tem pior: ao mostrar outra imagem, com Requião próximo a uma senhora de seios avantajados, Mussi brincou com a platéia dizendo aí estava a razão do sucesso do programa leiteiro canadense. Ninguém riu.

Deputada saiu
Nesse exato momento, a deputada Elza Correia, retirou-se do recinto. Indignada. Se tivesse ficado, poderia ver ainda mais três fotos de Quebec, próximo ao um rio. E ouviria uma observação de valor inestimável em se tratando de um secretário de Estado falando para uma platéia de gente estudada e bem formada. Disse Mussi: ''Esse rio que vocês estão vendo ao fundo, congela durante o inverno do Canadá''.

Reclamação da imprensa
Ao final dessa extraordinária descrição de viagem, o secretário da Indústria e Comércio reclamou que a imprensa do Paraná não deu a devida atenção à Grande Missão Canadense. Publicou, segundo ele, muito pouco das matérias enviadas pelo assessor Benedito Pires, que apareceu em todas as fotos escrevendo numa caderneta.
A imprensa, a não ser o ''Estado do Paraná'', de Paulo Pimentel, realmente não deu espaço para a viagem. Se tivesse dado mesmo, provavelmente a tal Missão nem retornaria. De vergonha dos paranaenses.

O Paraná paga
A gente pode até se divertir com a desastrosa atuação do secretário Luis Mussi, genro de Paulo Pimentel (e, como já se disse aqui, ambos têm horror de lembrar disso), mas nada fica engraçado quando sabemos que nós, paranaenses, pagamos do nosso bolso as viagens oficiais. O próprio Mussi, por exemplo, recebeu U$ 11 mil, metade para o Canadá e metade para o Chile, para onde irá na próxima semana, novamente em missão oficial.
Dói ou não dói trabalhar para pagar essas baboseiras?

Repórter ''animal''
Mas não são apenas autoridades que extrapolam o limite do bom senso, não. Na ''Gazeta do Povo'' de ontem, o coleguinha José Aparecido Fiori, publicou na página 2 a ''Oração do Cavalo'', ao lado da fotografia do homenageado. ''Fazei meu dono manso de coração como eu próprio o sirvo com mansidão'', diz o cavalo, no poema.

Entrevista com a vaca
O mesmo repórter Fiori já entrevistou uma vaca numa Exposição Agropecuária de Curitiba, há alguns anos - e, acreditem se quiserem - ganhou um prêmio da Secretaria de Agricultura por isso. Parece que a vaca deu declarações mais interessantes que muitos políticos por aí.

Na Assembléia
E, na Assembléia, os deputados começaram, ontem, a debater o Projeto de lei 701/03, do deputado Ratinho Junior, PPS, que proíbe veterinários de realizarem a operação de ''cordotomia'', para impedir latidos de cães e miados de gatos. Segundo Ratinho, a tal operação faz bem ao dono e seus vizinhos, mas não ao bicho.
Só no Paraná um deputado chamado Ratinho apresenta um projeto a favor de cães e gatos. Coisas nossas.

Paranaguá de novo
Tudo parece dar errado no Porto. As construtoras que perderam a concorrência para construir os 22 quilômetros de acesso ao Porto vão entrar na Justiça. Discordam do resultado. E o Grande Irmão continua lá, firme como nunca.
Por que o governador Requião mantém esse irmão dele lá, hein? Por pura teimosia ou por laços de sangue?

Do Programa do PL
O programa estadual do PL trouxe o deputado Chico da Princesa (sois nobre, deputado?), com cabelo preto retinto e franjinha de lado e o deputado Mauro Moraes com penteado novo, todos os fios pra trás. Dariam uma boa dupla como ''Penteadinho e Repuxado'' ou ''Pintei ontem'' e ''Pintei hoje''.
Mas o PL trouxe novidades, também. Acabou aquela música fúnebre e apresentou-se um prefeito articulado, o Victor Hugo, de Guarapuava.

Ao Petrin
Te cuida, Oswaldo Petrin (colunista de agricultura e afins). Essa coluna hoje abrange, quase que totalmente, o setor agropecuário e animal. Para o bem e para o mal.

Daltônica
De novos tempos
O gerente do banco coçou a orelha quando ela disse que era empresária. No cadastro escreveu ''e aposentada'' . E tudo mudou. Passou a ser bem tratada e o dinheiro saiu rapidinho. Sinal dos tempos.

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