RUTH BOLOGNESE
Paranaguá não é bonito
A falta de higiene no Porto de Paranaguá foi o que mais chocou os cinco deputados da CPI que visitaram o cais ontem. Em muitos lugares usaram máscaras, por causa do cheiro. O Paraná, o Brasil e o mercado sabem disso há meses. Lá, a questão não é mais nem de sanidade. É de insanidade do irmão do governador, Eduardo. E de irresponsabilidade direta do próprio governador.
Surto de cólera
A higiene no Porto é um problema diário, complexo, que exige atenção redobrada. Além da fermentação de produtos como a soja, há o giro permanente de caminhões, caminhoneiros e marinheiros pela cidade. Junta-se a tudo isso, a falta de saneamento na periferia.
Foi em Paranaguá que surgiu o primeiro foco de cólera, no governo Lerner. A imagem do canal Anhaia era desoladora: crianças nuas, brincando numa lama escura, à mercê não apenas da cólera, mas de qualquer doença.
Pelo jeito, nada mudou. Ou piorou.
Os donos das bolsas
Já o PT paranaense anda preocupado. O governo federal distribui bolsas-família, num grande esforço para garantir renda. E pesquisas do Partido mostram que quem leva a fama em Ponta Grossa é o Jocelito Canto, e em Londrina, Antônio Belinati. Falta comunicação adequada ao PT e sobra esperteza em Jocelito e Belinati.
É da vida, minha gente.
Tão longe
Desde a semana passada um oficial de Justiça de Brasília está em busca do governador Roberto Requião para intimá-lo a pagar R$ 1 milhão e 500 mil por ofensas a um juiz que o processou. Requião perdeu a ação em última instância.
Parece que agora o oficial seguiu para o Canadá. Pelo jeito vai ter novas dificuldades. A última vez que viram El Supremo ele estava num trenó, indo para as montanhas. Vestia um chapéu tipo Daniel Boone, aqueles de pele de castor e rabo, e um casaco de pele sobre o jaquetão azul. Em pouco tempo, sumiu no horizonte.
Gastando dólares
O secretário da Indústria e Comércio, Luiz Mussi, solicitou, oficialmente, a compra de U$5 mil 346,00 para gastar na viagem ao Canadá. Foi o único da Grande Missão que o fez. Mussi é genro de Paulo Pimentel, presidente da Copel, embora nenhum dos dois goste de lembrar disso.
Bom pra todos
O deputado José Janene, do PP, protagonista de tantas denúncias de malversação (palavrinha estranha essa) de dinheiro público é hoje a figurinha mais solicitada para compor chapa em Londrina. Estão na fila Antonio Belinati, Nedson Michelletti, do PT e Tercílio Turini, do PSDB. Todo mundo quer Janene ou alguém indicado, para ser vice. E de quebra um dinheirinho pra campanha.
Sem caneta
O pessoal do Palácio Iguaçu emite sinais de nervosismo com a atuação da dupla Renato Adur, PMDB e Natálio Stica, PT,nas articulações políticas em nome do Governo. Ninguém precisa ficar nervoso, não. Quem comanda as articulações políticas na pré-eleição é a chave do cofre. E quem tem a chave do cofre é o Governador.
O resto é conversa pra deputado dormir.
Fora FHC
O ex-senador José Eduardo está indignado com a vinda de Fernando Henrique para o Paraná. Considera que um Governante responsável pela falência do maior banco paranaense,o terceiro banco do País na época, não deveria nem pisar por aqui.
FHC virá dia 24 para uma palestra. José Eduardo era senador, presidente do PTB e ministro da Indústria e Comércio do governo dele. E presidente do Bamerindus.
Itaipu forever
Desde que se conhece por gente, cada paranaense já assistiu umas 235 inaugurações em Itaipu. Começou com Stroessner e Geisel há 30 anos e vem até hoje. Cada nova turbina, cada enchimento de lago, cada ligação nova e lá vai a TV filmar o imenso vertedouro, as águas, os peixes, os postes, as fiações, etc , etc. Agora, temos uma semana de comemorações dos 30 anos da Usina e as cerimônias dos 20 anos do funcionamento da primeira turbina.
Atenção: são mais 18 turbinas, gente!
Versailles é aqui
E depois de tudo isso,ainda vamos ver a inauguração dos jardins inspirados em Versailles que o Jorge Samek, o diretor atual, quer construir à beira do lago. Tudo será inaugurado: do plantio da primeira azaléia até o vôo da última borboleta.
Eu quero a minha mãe...
Em Brasília
A coluna de hoje foi feita em Brasília, antes da posse do ex-governador João Elísio na Federação Nacional de Seguros. Brasília, dizem aqui, é uma cidade tão árida onde gatos não sobrevivem.
É uma das informações mais intrigantes que já publicada nesse espaço. ''Gatos não sobrevivem em Brasília''. Isso é um espanto!
Daltônicas
De aproximações
O chefe era europeu, distante, formal. Um dia chegou suado, meio sujo e vermelho. Tinha ido pescar. Estava, enfim, mais humano. E quase brasileiro.





