RUTH BOLOGNESE
O quinto secretário
O homem da comunicação de Cássio Taniguchi, publicitário Sérgio Reis, está demissionário. Em oito anos de mandato do ''Homem do Oriente'', é o quinto a deixar o cargo. Há uma semana e meia, Sérgio Reis disse que só ficaria na prefeitura até 30 de junho, quando se encerram os gastos com propaganda por causa das eleições. Pelo jeito, antecipou a saída.
O substituto de Reis deve ser uma solução interna.
Emprego bom, só na corte
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) promove, nos dias 8 e 9 de maio, concurso público para 365 vagas de nível médio e superior. Em Brasília. Ainda assim, são 74.875 inscritos. Para técnico administrativo de nível médio, 408.8 candidatos vão disputar uma vaga. É o governo do ''pleno emprego''.
Leitura de sábado
O jornalista Fábio Campana lançou seu quinto livro ''Todo Sangue'', nesta semana, em Curitiba. Campana está em pleno processo de mutação de colunista político e conselheiro-mor de todos - todos mesmo - os políticos do Paraná, para editor de livros de alto padrão gráfico e intelectual e revistas de cultura e idéias na sua ''Travessa de Editores''.
Na esquerda e na política
Campana é figura única no jornalismo e na política paranaense. Esquerdista na juventude, quando pertenceu ao Partido Comunista do Brasil, PC do B, deixou o partido e as teses de esquerda e migrou para as campanhas políticas do PMDB. Foi secretário de comunicação de Roberto Requião e de Álvaro Dias e consolidou a fama de bruxo e poderoso, que só aumentou quando, há 10 anos, começou a escrever a coluna política mais lida do Paraná, na Gazeta do Povo.
Fala mansa
Hoje, Campana desfruta posição confortável, junto aos quais se pode dizer que, como o diabo, são mais perigosos porque são velhos. Conhecedor profundo da alma e do passado dos políticos, assusta justamente por causa disso. Na era Lerner, as moças elegantes do gabinete da vice, Emília Belinati, o chamavam de ''Veludo'', referência perfeita à fala mansa e sedutora que caracteriza o jornalista. Quando dá entrevistas no rádio ou na TV, puxa um pouco o ''R'', à maneira dos cariocas e com certo enfado.
Análises e dúvidas
De Jaime Lerner a Requião, de Jorge Samek a Cássio Taniguchi, não existe um político do Paraná que não tenha ouvido as análises políticas ou de pesquisas feitas pelo jornalista. No lançamento do livro dele, por exemplo, todos bateram o ponto direitinho. E por dois motivos: primeiro, porque o Fábio pode ficar zangado e isso não é bom. Eles não sabem bem porque não é bom, mas por via das dúvidas... E segundo, porque se todo mundo vai lá, por que logo eu vou ficar ausente, não é mesmo?
Província contestada
Nessa nova função de editor, marcada pela aura de seriedade e modernidade, Campana tenta fugir, mais uma vez, do ranço provinciano que nos cobre. Fumante de cubanos sofisticados, cultiva a barba grisalha e mistura certo ar de mistério a uma empáfia intelectualizada quando se depara com políticos em busca de conselhos e orientação. Ganha muito bem por isso. E sabe, como ninguém no Paraná, ridicularizar façanhas e destruir biografias. Sem qualquer compromisso ideológico.
Cotação em alta
Campana faz 57 anos em agosto, continua casado com Denise, a primeira mulher, disfarça, diariamente, a neurose com o bem-estar dos dois filhos, Isabel e Rubens e ainda é curioso absoluto sobre tudo o que falam dele. Mistura despojados paletós de tweed com jeans e faz jus, fisicamente, à imagem do editor de livros para poucas e privilegiadas cabeças. Políticos, por exemplo, compram os livros dele, em muitos casos patrocinam as edições, mas lêem mesmo a coluna diária.
Nossos mitos
A influência de Fábio Campana nos meios políticos ainda é infinitamente maior do que entre intelectuais e acadêmicos locais, situação que ele, de boca pra fora, gostaria de inverter. No fundo, no fundo, é fruto do meio político, faz parte dele, para o bem e para o mal. Um meio tão auto-referente e assustado com os passos do vizinho que até um espaço jornalístico, como o de hoje, suscita dúvidas. E sugere alianças. Mesmo sem qualquer dado realista.
De esquerdista a bruxo de campanha eleitorais, de colunista a livreiro, esse paranaense que veio da fronteira (é de Foz do Iguaçu) já faz parte da galeria dos poucos mitos que temos. Se eles são frágeis, macunaímicos, incompletos ou ultrapassados, é irrelevante. Mito não se contesta. Aceita-se. E louva-se.
Daltônicas
De atualidades
Apressado e distraído, como sempre, o chefe jovem encontrou um comprimido na mesa de trabalho e perguntou de quem era. A secretária, atualizada com o noticiário, respondeu, séria: ''Para que serve eu não sei mas foi o Bubba que deixou aí''.





